Aceitei porque penso que posso contribuir para o Judiciário", afirma Lindote sobre candidatura a presidente
O corregedor-geral da Justiça de Mato Grosso, desembargador José Luiz Leite Lindote, afirmou que aceitou disputar a presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) por entender que sua experiência administrativa pode contribuir para a gestão da Corte. Candidato único na eleição marcada para este ano, ele atribui a ausência de concorrentes à construção de um consenso entre os desembargadores em um momento de reorganização institucional.
A declaração foi dada durante entrevista ao PodOlhar, videocast do Olhar Direto, ao comentar a formação da chapa que concorre à direção do Tribunal para o biênio 2027/2028.
Promovido ao cargo de desembargador em fevereiro de 2024, pelo critério de merecimento, Lindote lembrou que, poucos meses depois, foi eleito corregedor-geral da Justiça. Segundo ele, a escolha ocorreu em razão da experiência acumulada na área disciplinar e administrativa.
"Eu fui promovido em fevereiro e, no mesmo ano, houve o processo de eleição para o tribunal. É uma questão de oportunidade. Os colegas entenderam que eu tinha o perfil para a Corregedoria, talvez pela experiência que tive na Secretaria de Fazenda e pelos sete anos em que atuei como juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça", afirmou.
Ao fazer um balanço da atual gestão na Corregedoria, Lindote disse que buscou conciliar o papel orientador do órgão com a atuação disciplinar. "Desde o começo eu sempre disse que jamais iria deixar de lado a função disciplinar da Corregedoria. Nós procuramos conciliar essas duas vertentes, auxiliando, orientando, mas punindo quando necessário", declarou.
Sobre a candidatura à presidência do Tribunal, o desembargador afirmou que o consenso foi resultado do diálogo construído ao longo dos últimos anos. "Isso também é uma construção que vem desde o início da gestão. Eu converso bastante com todos os colegas. Entendo que o Poder Judiciário é o Pleno. O presidente representa o órgão pleno e as ações dele refletem aquilo que os demais colegas querem", disse.
Segundo Lindote, pela primeira vez em muitos anos a eleição da Mesa Diretora ocorre sem disputa em todos os principais cargos.
"Talvez por essa forma de conduzir tenha surgido esse consenso. É algo inédito. Nós conseguimos construir consenso para presidente, vice, corregedoria, ouvidoria e demais comissões. É um projeto que queremos levar daqui para frente", afirmou.
Na avaliação do corregedor, o momento institucional do Tribunal favoreceu a construção de uma candidatura única. "Eu penso que os colegas entenderam que, neste momento do Tribunal, o melhor seria uma eleição sem disputa", afirmou.
Lindote também defendeu a antecipação do calendário eleitoral do Tribunal, medida que amplia o período de transição entre as gestões. Até então, segundo ele, as eleições ocorriam em outubro, restando cerca de 35 dias úteis para que a futura administração se preparasse para assumir a Corte.
"Com a antecipação, queremos fixar um período mínimo de 120 dias para a transição. Quem assume precisa conhecer o Tribunal, planejar a gestão. Em dois anos de mandato, não é possível gastar seis meses apenas entendendo como tudo funciona", explicou.
Questionado se a presidência sempre foi um objetivo pessoal, o desembargador negou que tivesse planejado disputar o cargo. "Eu nunca trouxe isso como meta, nem a Corregedoria e nem a presidência. As oportunidades surgem e eu acho que tenho condições de contribuir para o Poder Judiciário", afirmou.
Ele atribuiu essa percepção à experiência acumulada ao longo da carreira no serviço público. "Sempre trabalhei com gestão, sempre trabalhei com números e gosto da área administrativa. Aceitei porque penso que posso contribuir para o Poder Judiciário."
Ao projetar uma eventual gestão, Lindote afirmou que pretende priorizar mudanças na estrutura administrativa do Tribunal, a valorização dos servidores e o redimensionamento da estrutura judiciária para acompanhar o crescimento das diferentes regiões do Estado.
"Nós precisamos melhorar a situação dos servidores, fazer uma reforma administrativa sem retirar direitos e diminuir desigualdades que existem hoje no Tribunal", disse.
O desembargador também defendeu a redistribuição de varas e comarcas conforme a demanda processual. "Há regiões que cresceram muito e precisam de novas varas. Em contrapartida, existem comarcas que perderam demanda e hoje já não justificam a mesma estrutura. Precisamos ter essa capacidade de reorganizar o Judiciário conforme a necessidade da população."
Outro eixo apontado por Lindote é o investimento em tecnologia e inteligência artificial. "Hoje tudo depende da informática. Nós temos o processo eletrônico, temos a inteligência artificial. O tribunal que não investir nessa área está fadado ao fracasso", concluiu.