Operação Sepulcro Caiado revela esquema milionário dentro do TJ-MT
A Polícia Civil de Mato Grosso, em parceria com o Tribunal de Justiça (TJMT), deflagrou na última terça-feira (30) a Operação Sepulcro Caiado, desvendando um esquema de corrupção que desviou pelo menos R$ 21 milhões dos cofres do Judiciário estadual. A investigação aponta o envolvimento direto de servidores do TJ-MT, advogados e empresários, em fraudes que vinham sendo praticadas desde 2018.
A ação, coordenada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), cumpriu mais de 160 medidas judiciais, incluindo 11 mandados de prisão preventiva, 22 mandados de busca e apreensão, quebras de sigilos bancários e fiscais, além do sequestro de 48 imóveis e 18 veículos de luxo. Os alvos atuavam em Cuiabá, Várzea Grande e Marília (SP).
Segundo a investigação, o grupo criminoso forjava ações de cobrança judicial contra empresas e pessoas físicas. Em seguida, apresentava comprovantes bancários falsificados, simulando o pagamento dos valores cobrados. A partir disso, obtinham alvarás judiciais fraudulentos, autorizando a liberação de valores diretamente das contas do TJ-MT.
O principal operador do esquema seria um servidor da Justiça com acesso à Conta Única do Tribunal, que transferia ilegalmente os recursos para contas vinculadas a processos manipulados. As fraudes, segundo a polícia, se concentraram no período de 2018 a 2022, e algumas dívidas reais de até R$ 100 mil foram transformadas em quitações de até R$ 1,8 milhão.
Prisões e nomes envolvidos
Foram presos, entre outros:
Wagner Vasconcelos de Moraes
Melissa França Praeiro
João Gustavo Ricci Volpato
Luiza Rios Ricci Volpato
Rodrigo Moreira Marinho
Themis Lessa da Silva
João Miguel da Costa Neto
Denise Alonso
Augusto Frederico Ricci Volpato
Um dos principais investigados, o servidor Mauro Ferreira Filho, permanece foragido. Outros dois nomes tiveram tratamento diferenciado: uma idosa de 75 anos teve a prisão revogada e uma mulher grávida cumprirá prisão domiciliar, conforme decisões da audiência de custódia.
Reações institucionais
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso emitiu nota afirmando que apoia integralmente a apuração dos fatos e que já instaurou processos administrativos disciplinares contra os servidores envolvidos. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) também acompanha os desdobramentos e deve abrir procedimentos no Tribunal de Ética e Disciplina contra os advogados suspeitos.
Diante da gravidade dos fatos e do possível envolvimento de autoridades com foro privilegiado, o caso foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que assumirá a condução da investigação.
O nome da operação
A escolha do nome “Sepulcro Caiado” — expressão bíblica usada para descrever algo que aparenta pureza por fora, mas esconde podridão por dentro — reflete a crítica simbólica ao uso de estruturas legítimas do Judiciário para práticas criminosas sofisticadas e silenciosas.
Medidas de contenção
Desde 2023, o TJ-MT afirma ter implantado novos mecanismos de controle e rastreamento financeiro que impediram a continuidade desse tipo de fraude. A Polícia Civil ainda avalia o alcance completo do prejuízo e não descarta novas fases da operação, com mais prisões e revelações de conexões políticas e empresariais.
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