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31/07/2025 - 10:19

Operação Sepulcro Caiado revela esquema milionário dentro do TJ-MT

A Polícia Civil de Mato Grosso, em parceria com o Tribunal de Justiça (TJMT), deflagrou na última terça-feira (30) a Operação Sepulcro Caiado, desvendando um esquema de corrupção que desviou pelo menos R$ 21 milhões dos cofres do Judiciário estadual. A investigação aponta o envolvimento direto de servidores do TJ-MT, advogados e empresários, em fraudes que vinham sendo praticadas desde 2018.

A ação, coordenada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), cumpriu mais de 160 medidas judiciais, incluindo 11 mandados de prisão preventiva, 22 mandados de busca e apreensão, quebras de sigilos bancários e fiscais, além do sequestro de 48 imóveis e 18 veículos de luxo. Os alvos atuavam em Cuiabá, Várzea Grande e Marília (SP).

Segundo a investigação, o grupo criminoso forjava ações de cobrança judicial contra empresas e pessoas físicas. Em seguida, apresentava comprovantes bancários falsificados, simulando o pagamento dos valores cobrados. A partir disso, obtinham alvarás judiciais fraudulentos, autorizando a liberação de valores diretamente das contas do TJ-MT.

O principal operador do esquema seria um servidor da Justiça com acesso à Conta Única do Tribunal, que transferia ilegalmente os recursos para contas vinculadas a processos manipulados. As fraudes, segundo a polícia, se concentraram no período de 2018 a 2022, e algumas dívidas reais de até R$ 100 mil foram transformadas em quitações de até R$ 1,8 milhão.
Prisões e nomes envolvidos
Foram presos, entre outros: Um dos principais investigados, o servidor Mauro Ferreira Filho, permanece foragido. Outros dois nomes tiveram tratamento diferenciado: uma idosa de 75 anos teve a prisão revogada e uma mulher grávida cumprirá prisão domiciliar, conforme decisões da audiência de custódia.
Reações institucionais

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso emitiu nota afirmando que apoia integralmente a apuração dos fatos e que já instaurou processos administrativos disciplinares contra os servidores envolvidos. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) também acompanha os desdobramentos e deve abrir procedimentos no Tribunal de Ética e Disciplina contra os advogados suspeitos.
Diante da gravidade dos fatos e do possível envolvimento de autoridades com foro privilegiado, o caso foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que assumirá a condução da investigação.
O nome da operação

A escolha do nome “Sepulcro Caiado” — expressão bíblica usada para descrever algo que aparenta pureza por fora, mas esconde podridão por dentro — reflete a crítica simbólica ao uso de estruturas legítimas do Judiciário para práticas criminosas sofisticadas e silenciosas.
Medidas de contenção

Desde 2023, o TJ-MT afirma ter implantado novos mecanismos de controle e rastreamento financeiro que impediram a continuidade desse tipo de fraude. A Polícia Civil ainda avalia o alcance completo do prejuízo e não descarta novas fases da operação, com mais prisões e revelações de conexões políticas e empresariais. Imprimir