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08/05/2025 - 21:09 | Atualizado em 08/05/2025 - 21:58

Adolescentes com transtornos mentais passam mais tempo nas redes sociais, aponta estudo

Adolescentes com transtornos de saúde mental passam, em média, mais tempo nas redes sociais do que aqueles sem essas condições. A constatação vem de um estudo realizado no Reino Unido e publicado na segunda-feira (5) na conceituada revista científica Nature Human Behavior.

Os pesquisadores analisaram dados de 3.340 jovens britânicos, com idades entre 11 e 19 anos, dos quais 16% foram diagnosticados com pelo menos uma condição de saúde mental. A análise revelou que adolescentes com quadros mais graves relataram cerca de 50 minutos a mais de uso diário das redes sociais em comparação com seus pares sem transtornos.

Além disso, esses jovens demonstraram menor satisfação com o número de amigos virtuais e maior sensibilidade ao feedback recebido nas plataformas — como curtidas, comentários e compartilhamentos. Aqueles diagnosticados com depressão ou transtornos de ansiedade também se comparavam mais com outras pessoas nas redes e apresentavam maior variação de humor de acordo com a repercussão de suas postagens.

Embora o estudo traga evidências consistentes, os cientistas alertam que ainda não é possível afirmar que o uso intenso das redes sociais seja a causa direta dos transtornos mentais. Mais pesquisas, especialmente com jovens de outras partes do mundo, são necessárias para esclarecer os vínculos causais entre saúde mental e comportamento digital.

Relação já foi apontada por estudos anteriores

A ligação entre saúde mental e redes sociais não é nova. Em 2023, o relatório “Panorama da Saúde Mental”, elaborado pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, mostrou que entre os brasileiros que passam três horas ou mais por dia nas redes, 43,5% têm diagnóstico de ansiedade.

Especialistas apontam que o uso excessivo das redes pode prejudicar a saúde emocional por diversos fatores, incluindo baixa autoestima, menor interação social presencial, exposição ao cyberbullying, alterações no sistema de recompensa do cérebro e o constante medo de estar “por fora” das novidades.

Um estudo da Faculdade de Saúde da Universidade de York, também no Reino Unido, revelou que mulheres que pausaram o uso de redes sociais apresentaram melhorias significativas na autoestima e na percepção da própria imagem corporal.

Já pesquisadores da University College London (UCL) identificaram que adolescentes com vício em internet podem desenvolver alterações cerebrais associadas ao comportamento compulsivo, afetando negativamente o bem-estar psicológico, a vida acadêmica, social e até profissional. Imprimir