Fabrizio Cisneros deixa presídio após pedido de advogado da extrema-direita
Fabrizio Cisneros, um dos maiores expoentes da extrema-direita em Cáceres, conseguiu o que muita gente achava impossível: deixar o presídio de segurança máxima de Cáceres e voltar pra casa, mesmo que em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica e proibido de usar redes sociais.
A decisão foi assinada pelo Ministro Alexandre de Moraes, do STF, após pedido de um dos advogados mais badalados da extrema-direita brasileira no momento, Hélio Júnior, conhecido como o "libertador dos patriotas" — responsável por conseguir soltar dezenas de envolvidos nos atos golpistas do dia 8 de janeiro.
A soltura de Fabrizio surpreendeu pela sua trajetória. Durante os meses que antecederam os atos em Brasília, ele era uma das vozes mais ativas em Cáceres na defesa da ruptura democrática. Subia em carros de som, gravava vídeos inflamados, organizava manifestações e sonhava abertamente com tanques do exército nas ruas.
O contraste que dói em Cáceres
Enquanto Fabrizio retorna para casa, mesmo que com restrições, José de Arimateia Gomes dos Santos, o Arimateia, continua preso, condenado a 14 anos de cadeia em regime fechado. Seu nome em Cáceres sempre esteve associado à simplicidade, ao carisma e à alegria. Era presença certa nos acampamentos — não pelo discurso de ódio ou pela articulação política — mas pela energia, pela música e, principalmente, pelos churrascos e pelo clima de confraternização que sempre o acompanham.
Mesmo assim, foi condenado pelos crimes de associação criminosa armada, dano ao patrimônio e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Vai ter que dividir com outros réus o pagamento de uma indenização de R$ 30 milhões.
O que acende a esperança dos amigos e familiares de Arimateia — é que Hélio Júnior assumiu sua defesa. O mesmo advogado que tirou Fabrizio da cadeia agora está lutando para garantir que Arimateia tenha o mesmo destino: a liberdade. O advogado, em seus discursos públicos, tem reforçado que a luta continua — e que não irá descansar até que "o último inocente esteja em liberdade".
O retrato nacional
Os números do STF mostram que dos mais de 1.400 presos pelos atos do dia 8 de janeiro, 371 já foram condenados. Atualmente, 84 estão cumprindo pena em regime fechado, 5 estão em prisão domiciliar e 55 seguem presos provisoriamente. A batalha judicial está longe do fim. Mas em Cáceres, a história ganhou um novo capítulo — e um novo protagonista. Agora, os olhos da cidade estão voltados para Hélio Júnior... e para Arimateia.
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