A expansão da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo - obra de aproximadamente 743 quilômetros que liga Rondonópolis a Cuiabá, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde - consolida um novo corredor de transporte em Mato Grosso. A Região Oeste, porém, ficou fora do traçado ferroviário. O resultado escancara uma diferença difícil de ignorar: enquanto outras regiões avançam com uma infraestrutura capaz de atrair investimentos, reduzir custos e estimular novos negócios, o Oeste continua distante dos grandes projetos logísticos estruturantes do estado.
Sem trilhos no horizonte, a alternativa passa pela própria posição geográfica da região. O Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil–Bolívia–Pacífico abre a possibilidade de transformar a fronteira em corredor para os portos do Pacífico. Uma das iniciativas envolve a ligação de cerca de 148 quilômetros entre a MT-199, em Vila Bela da Santíssima Trindade, e San Ignacio de Velasco, na Bolívia, criando uma nova perspectiva para o escoamento da produção e para a integração econômica do Oeste.
Há, porém, uma diferença que não pode ser ignorada: de um lado, os trilhos já avançam; do outro, o corredor pelo Pacífico ainda precisa sair do planejamento e virar infraestrutura concreta. É nesse ponto que representação política e articulação regional fazem diferença. O Oeste tem localização estratégica e potencial econômico, mas potencial sozinho não constrói estrada, ferrovia nem atrai investimento. É preciso presença nos espaços de decisão para que a região deixe de assistir aos grandes corredores de desenvolvimento passarem longe de suas fronteiras.