Rico de terra, pobre de voz
O Oeste é que nem fazenda boa com porteira enferrujada: tem terra, tem gente trabalhadeira, tem riqueza pra dar e vender, mas falta quem bata o pé e diga “essa boiada também é nossa”. Enquanto outras bandas do estado vão puxando obra, investimento e recurso, por aqui o povo fica vendo o trem passar e levantando poeira na estação. Potencial sozinho não enche o paiol: sem representação forte, a região continua com o chapéu na mão e o pires esperando. É riqueza que tem de sobra, mas voz que quase não se ouve lá pras bandas de Brasília. “Vamu acordá meu povo!”
De novo no Top 10
A Percent passou a peneira de novo e o “tar” do Irajá Lacerda (PSD) continua entre os 10 nomes mais lembrados para deputado federal, enquanto o fragilizado Dr. Leonardo (Republicanos) segue amargando lá no fundão da fila. E tem um trem da eleição proporcional que muita gente ainda deixa escapar: o voto não fica só no candidato, ele também vai pro “balaio” do partido e pode ajudar a puxar outro companheiro de legenda. É como dar milho pra galinha dos outros: você joga o grão e outro pode catar. No fim das contas, voto que não ajuda a eleger quem você queria pode acabar fazendo festa na roça alheia. “Parei cocêis...”
Povo indo embora
Enquanto Mato Grosso cresceu mais de 20% entre 2010 e 2022, 12 dos 22 municípios do Oeste viram gente fazer as malas e pegar a estrada. Juntos, perderam quase 8 mil moradores. E não é por falta de vontade de ficar, não: quando falta emprego, estudo, oportunidade e perspectiva, o cidadão aperta o arreio e vai procurar pasto mais verde noutra freguesia. A região tem riqueza, mas precisa de presença política pra transformar potencial em oportunidade. Senão, daqui a pouco fica boi no pasto, terra debaixo da unha e pouca gente pra contar a história. “Atenção gurizada...”
Voz Miúda
Ô trem custoso, sô! Terra rica, povo indo embora e político fazendo conta pra ver quem fica com o quinhão. Enquanto o Oeste perde gente, emprego e oportunidade, Brasília parece um curral véio: só entra quem tem porteira aberta e deputado batendo na cancela. Tem nome subindo no Top 10, tem nome agarrado na lanterna e tem voto que ainda pode acabar elegendo o vizinho da porteira. No fim das contas, se o Oeste continuar sem voz, vai sobrar só a poeira da estrada, o povo pegando a mudança e o caboclo perguntando: “Uai, e o progresso, foi beber água e nunca mais vortô?” - “sóóóóco...”