Cuiabá recebe neste sábado (12) a quarta edição do MT Warriors Championship, evento que reúne atletas de diferentes estados brasileiros em um card 100% profissional de kickboxing. As lutas serão realizadas no Palácio das Artes Marciais Iusso Sinohara, espaço anexo à Arena Pantanal.
Entre os nomes que estarão no card principal estão dois atletas que vivem momentos importantes em suas carreiras: Marcos Bohn, conhecido como La Daga Bohn, e Marcos Vinícius de Souza Bastos, o Raio. Apesar de trajetórias diferentes, os dois chegam ao evento com objetivos semelhantes: vencer, representar Mato Grosso e proporcionar um grande espetáculo ao público.
La Daga Bohn busca nova vitória
Natural de Misiones, na Argentina, Marcos Bohn tem 25 anos e construiu parte importante de sua carreira esportiva no Brasil. O lutador chegou ao país inicialmente para competir e, após conhecer pessoas de Cuiabá e ouvir sobre as oportunidades na cidade, decidiu permanecer em Mato Grosso para dar continuidade à carreira e aprimorar seus conhecimentos no jiu-jitsu e no MMA.
“Quando eu cheguei aqui no Brasil, eu cheguei para lutar. Eu lutei em Campo Novo do Parecis, e desde lá nasceu a ideia de ficar no Brasil. Eu conheci um pessoal que era daqui de Cuiabá. Eles falavam que aqui era muito bom, muito lindo. Então, eu tomei a ideia de descer para Cuiabá e ficar aqui, para treinar e me especializar mais no jiu-jitsu, na área do MMA também", disse em entrevista.
A trajetória no kickboxing começou em 2019. Desde então, Bohn acumula aproximadamente 18 lutas na modalidade, com apenas uma derrota, além de três títulos conquistados. A maior conquista da carreira, segundo o próprio atleta, veio posteriormente no MMA, quando conquistou um cinturão no evento CFC, em Sinop (MT).
Agora, o desafio é novamente no kickboxing. No card principal do MT Warriors, La Daga Bohn enfrenta Edivan dos Santos, de Primavera do Leste, pela categoria meio-médio, até 71,8 kg. Embora ainda não conheça pessoalmente o adversário, Bohn afirma que estudou o estilo de luta do mato-grossense e identificou características que pretende explorar durante o combate.
“Eu não conheço ele, mas o atleta profissional sempre pretende estudar o adversário, ver as partes mais fracas do adversário. Eu já estive estudando um pouco o estilo de luta dele. Ele é mais parado, a luta dele é mais explosiva na hora de ter um encontro corpo a corpo. Então, minha estratégia, eu acho que vai ser mais manter a distância com ele.”
Para chegar ao peso da categoria, o argentino precisou enfrentar um dos principais desafios da preparação, que é a perda de peso. Bohn conta que saiu de aproximadamente 84 quilos e trabalha para chegar aos 71,8 kg exigidos para o combate.
“Eu estou descendo 13 quilos para essa luta aqui. Minha luta vai ser em 71,8 quilos. Eu estou descendo de 84. Então, a gente tem que começar a descer de peso em pouco tempo. Isso acaba sendo um pouco pesado para o mental, mas eu já estou preparado, já estou acostumado a isso. Então, isso já está sendo um pouco normal para mim.”
A preparação também envolve dieta controlada, descanso e ajustes técnicos. Segundo o lutador, nesta reta final os trabalhos estão concentrados principalmente na parte física e em detalhes técnicos.
“A gente está tentando preparar mais o gás, o fôlego da pessoa, e mais a parte técnica também. Só arrumar algumas coisinhas que a gente já vinha trabalhando anteriormente, porque os atletas não podem esperar aparecer uma luta para começar a treinar. A gente sempre está preparado antes de aparecer uma luta.”
Depois de participar de uma edição anterior do Warriors sem alcançar o resultado esperado, Bohn afirma que chega mais preparado para o novo desafio.
“Eu já lutei antes da última edição do Warriors. Não teve o resultado que eu esperava, mas dessa vez eu já estou 100% mais preparado que anteriormente. Então, eu sou muito confiante e acredito bastante no meu trabalho.”
A expectativa é alta para o evento. Representando Cuiabá e também carregando as raízes argentinas, o atleta vê a participação no MT Warriors como mais um passo importante na carreira.
“Para mim é muito importante. Eu gosto muito de como as pessoas me apoiam aqui. Eu pretendo dar um show nesse evento. E para mim é um passo a mais na minha carreira também, porque é um evento muito conhecido, muito visível. Então, eu agradeço muito também eles terem me convidado para esse evento.”
Fora dos tatames, Bohn também trabalha como barbeiro profissional, dá aulas de luta e atua eventualmente como modelo. No sábado, porém, o foco estará totalmente voltado para o ringue.
“Pode esperar show, pode esperar que eu vou dar tudo de mim, vou dar meu 100%. É para isso que eu estou treinando e para isso que eu saí do meu país também, para vir aqui. Então, eu vou tentar dar o meu melhor e acredito que eu vou estar com essa vitória.”
Raio aposta na experiência de diferentes modalidades
Se Marcos Bohn chega ao MT Warriors com três títulos no kickboxing e uma trajetória construída entre Argentina e Brasil, Marcos Bastos, o Raio, carrega uma experiência multidisciplinar.
Nascido em Chapada dos Guimarães, o atleta de apenas 20 anos acumula conquistas no boxe e no jiu-jitsu, além de atuar profissionalmente no kickboxing e no MMA. No MMA profissional, possui quatro vitórias e nenhuma derrota.
Para Raio, a passagem por diferentes artes marciais foi fundamental para a construção do lutador que é hoje.
“Como eu me tornei campeão em várias modalidades diferentes, consegui trazer experiências de cada arte marcial que fiz. Então, isso mesmo me tornou o que eu sou hoje no MMA. Eu sou um cara excelente de boxe, tenho minhas mãos muito pesadas, sei trabalhar muito bem com minhas mãos. Desde pequeno treino kickboxing, então também sei chutar. E quando vim para Cuiabá, comecei a treinar jiu-jitsu, inclusive tive muitos bons resultados. Então, acabei que juntei tudo e virei uma máquina de combate", contou.
A relação com as artes marciais, no entanto, vai além das competições. Segundo Raio, o esporte teve papel importante na transformação de sua vida desde a infância. “Essa ideia de ser atleta vem desde criança. Eu sempre fui aquele moleque problemático, briguento de rua. Então, a arte marcial veio para me colocar no eixo, veio para me colocar numa linha que eu não tinha. Veio para me dar uma educação, uma disciplina que não tinha em casa.”
Entre os resultados mais importantes está o vice-campeonato brasileiro de boxe. Para o atleta, a conquista abriu portas e teve impacto inclusive fora do aspecto esportivo.
“Uma das conquistas que mais teve impacto foi, com certeza, ser vice-campeão brasileiro de boxe. Porque é o maior campeonato do Brasil de boxe, é um campeonato que traz Bolsa Atleta. Então, hoje em dia eu sou bolsista exatamente por causa desse campeonato, que me deu ambas as portas de oportunidade, até financeira.”
No MT Warriors, Raio terá pela frente outro atleta de Cuiabá. O adversário será André “Cabelo”, na categoria cruzador leve, até 85 kg. O fato de enfrentar um conterrâneo, entretanto, não altera a estratégia do lutador.
“Não muda nada. O oponente é o oponente, independente de qual lado ele está, independente de qual cidade. Vai ser o mesmo como é sempre, mesma preparação e mesma cabeça, mesmo psicológico de luta. E vamos ganhar isso aí, com certeza absoluta.”
Raio também revela que já estudou o adversário, mas destaca que a preparação diária é o principal elemento para chegar pronto ao combate. A luta também terá um significado especial pelo momento vivido pelo atleta. Invicto no MMA profissional, ele admite que a manutenção desse retrospecto gera pressão.
“É um peso muito grande no MMA. Eu estou no MMA com esse invicto, até porque eu sou muito novo para o cartel que eu estou. Então, é muito importante eu continuar com esse cartel. Então, eu não posso perder, tem essa pressão sempre em cima de mim, eu não posso perder.”
No kickboxing, porém, o cenário é diferente. Raio vem de uma derrota no profissional e encara o confronto deste sábado como uma oportunidade de recuperar o caminho das vitórias. “No kickboxing eu estou vindo de uma derrota no profissional, então eu vou ter que ganhar essa aqui para deixar meu card bem, deixar meu card positivo agora no kickboxing.”
A preparação para a modalidade exige condicionamento físico e domínio técnico, já que o atleta precisa estar preparado para utilizar diferentes armas durante os rounds.
“A preparação é a física, tem que estar com a física em dia, porque a gente tem que fazer três rounds de três minutos ali. Disputa de cinturão são cinco rounds de cinco. Então, a gente tem que estar muito preparado fisicamente, tem que estar com fôlego e preparado tecnicamente. Principalmente o kickboxing, que é uma arte que vai usar as mãos, os pés, as pernas, os joelhos. É uma área que tem que treinar muito e ser bem técnico.”
Um “Raio” dentro do ringue
O apelido que acompanha Marcos Vinícius também tem relação com sua trajetória nas artes marciais. Segundo o atleta, “Raio” surgiu durante o período em que treinava jiu-jitsu na Rotam, cujo símbolo é justamente um raio.
“O raio significa agilidade, ferocidade, esse tipo de coisa. Então eu era um cara muito vibrante, um cara muito alegre, espontâneo. O pessoal acabou me apelidando de Raio por eu ser esse cara vibrador, espontâneo.”
Neste sábado, ele terá a oportunidade de apresentar esse estilo ao público de Mato Grosso. O atleta já participou da edição anterior do Warriors e admite que o resultado não foi o esperado. Desta vez, porém, promete uma postura diferente.
“Eu participei da edição passada, o resultado não veio como a gente queria. Essa edição vai vir o resultado, eu tenho certeza disso. Essa edição eu vou dar um show para o público aqui de Mato Grosso, porque a gente está lutando em casa, então tem que dar esse show para todo mundo que está assistindo, para a família.”
Questionado sobre o futuro, o lutador estabeleceu uma meta ousada para os próximos anos: chegar ao UFC e alcançar o topo do MMA.
“O futuro é glorioso. Daqui uns três anos eu já quero estar no UFC, quero alcançar o topo do MMA, quero já estar no maior evento de MMA que tem, quero alcançar grandes patrocínios, patrocínios que vão me levar para fora, e é isso. Quero fazer lutas fora, quero estar no UFC. Essa é minha meta até uns três anos daqui para frente.”
Incentivo e o desafio de viver do esporte
Além da preparação física e técnica, Raio também chama atenção para as dificuldades enfrentadas por quem decide seguir uma carreira profissional no esporte. Segundo ele, despesas com alimentação, transporte, academia e toda a estrutura necessária para manter uma rotina de atleta podem pesar no orçamento.
“Esse auxílio ajuda muito os atletas, até porque o atleta hoje não é muito bem auxiliado. Esses auxílios que vêm ajudam muito o atleta, porque quem é atleta sabe que é difícil. É uma vida que você tem que seguir dieta, dieta não é barato, é uma vida que você precisa de transporte, transporte não é barato. Às vezes o cara vai treinar numa academia, nem academia dá uma bolsa para ele treinar de graça. Então, acaba que esse auxílio do Estado, do governo, ajuda muito o atleta. É sensacional esse auxílio.”
MT Warriors Championship
A quarta edição do MT Warriors Championship acontece neste sábado (13), a partir das 19h, no Palácio das Artes Marciais Iusso Sinohara, espaço anexo à Arena Pantanal. A competição terá entrada gratuita, mas o público precisa retirar o ingresso antecipadamente pela plataforma Sympla. A abertura dos portões está prevista para as 18h.
O MT Warriors Championship terá 10 lutas profissionais e 20 atletas, com representantes de Mato Grosso, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Rondônia. O card também conta com atletas que possuem trajetória entre a Argentina e Cuiabá.
Card completo
Cruzador Leve – até 85 kg
Thiago Araújo da Rosa “Kakarotto” (Cuiabá/MT) x Uedson Oliveira de Souza (Cuiabá/MT)
Leve Ligeiro – até 64,5 kg
Otávio Barreto (Cuiabá/MT) x Iago Alves (Porto Velho/RO)
Super Leve – até 62,2 kg
Otávio Henrique (Cuiabá/MT) x João Felipe Sousa (Porto Velho/RO)
Médio – até 75 kg
Diogo Kauan Barros da Silva “Zukashi” (Cuiabá/MT) x Augusto Daniel Costa (Ji-Paraná/RO)
Cruzador Leve – até 85 kg
Marcos Vinicius “Raio” (Cuiabá/MT) x André Cabelo “Cabelo” (Cuiabá/MT)
Feminino – até 59 kg
Nádia Fedoruk (Argentina/Cuiabá-MT) x Fabiana Peixoto Fraga “PXT” (Vitória/ES)
Meio-Médio – até 71,8 kg
Marcos Gabriel “La Daga Bohn” (Argentina/Cuiabá-MT) x Edivan dos Santos (Primavera do Leste/MT)
Cinturão MT Warriors – K-1 | Cruzador – até 94,1 kg
Raphael Soares dos Reis (Rio de Janeiro/RJ) x Allysson Campos (Cascavel/PR)
Cinturão MT Warriors – K-1 | Meio-Médio – até 71,8 kg
Leandro Barbosa “Predador” (Farroupilha/RS) x Matheus Gomes (Primavera do Leste/MT)