Notícias / Cidades

10/09/2026 - 11:59

CadÚnico revela o tamanho da vulnerabilidade social no Oeste

Dados revelam milhares de famílias em situação de vulnerabilidade nos municípios da região e mostram o tamanho da dependência de políticas públicas

Por Redação do Jornal Oeste

O Cadastro Único não mede safra nem produção. Ele ajuda a revelar a realidade de famílias de baixa renda e funciona como porta de entrada para diferentes políticas sociais. Em março de 2025, Cáceres tinha 50.229 pessoas inscritas no CadÚnico, sendo 43% classificadas na faixa de pobreza indicada no levantamento e 72% em situação de vulnerabilidade. São mais de 50 mil nomes apenas na maior cidade da Região Oeste. Pessoas que recorrem à rede de assistência social em busca de acesso a programas como Bolsa Família, BPC e outros benefícios. Para se ter uma dimensão do orçamento dessas famílias, o Bolsa Família considera elegíveis, entre outros critérios, famílias com renda mensal de até R$ 218 por pessoa.

O cenário se repete em outros pontos da região. Mirassol D’Oeste tem 16.225 pessoas cadastradas, com 41% na faixa de pobreza, enquanto, em Pontes e Lacerda, 29% dos inscritos estão na menor faixa de renda apontada pelo levantamento. Nova Lacerda, Porto Esperidião e Reserva do Cabaçal aparecem entre os municípios de alta vulnerabilidade, enquanto Comodoro, Vila Bela da Santíssima Trindade, Araputanga, Jauru, Curvelândia e Conquista D’Oeste figuram na faixa intermediária. Município após município, o CadÚnico desenha um corredor de vulnerabilidade social que atravessa o Oeste de Mato Grosso.

Por trás dos percentuais estão famílias para as quais uma alteração de renda, o preço do gás, o custo do remédio ou a demora na atualização cadastral têm impacto direto no orçamento doméstico. Crianças, mulheres responsáveis pelo sustento da casa, idosos, indígenas, quilombolas e moradores de áreas distantes aparecem entre os públicos que dependem de políticas públicas capazes de chegar onde a renda não alcança. O cadastro, portanto, não é apenas uma planilha: é um retrato de quem precisa da presença do poder público para atravessar o mês.

Somente em Cáceres são mais de 50 mil pessoas cadastradas. Tratar esse contingente apenas como “público-alvo” reduz a dimensão do que os números representam. O CadÚnico do Oeste mostra que a vulnerabilidade permanece presente e espalhada pela região. Diante de números dessa magnitude, dizer que as necessidades sociais foram superadas é ignorar o retrato que o próprio cadastro apresenta.

Comentários

inserir comentário
1 comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Jornal Oeste. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Jornal Oeste poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • por Juca pantaneiro , em 10.09.2026 às 13:42

    Não entendi nobre escriba deste sítio de notícias. Ainda tem alguém na pobreza na história desse país. Ou papi mentiu mais uma vez..,

 
Sitevip Internet