Mais de 50 comerciantes de Pedra Preta, a 243 km de Cuiabá, teriam sido obrigados a pagar valores periódicos a uma facção criminosa investigada por tráfico de drogas, extorsão e lavagem de dinheiro. O esquema é alvo da Operação Basalto, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (08.09), com o cumprimento de 34 mandados em quatro municípios de Mato Grosso.
A Justiça expediu 12 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão. As ordens são cumpridas em Pedra Preta, Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, Itiquira, a 359 km da Capital, e Cuiabá, inclusive dentro de unidades prisionais.
Segundo a investigação, a organização mantinha documentos com nomes de mais de 50 estabelecimentos comerciais de Pedra Preta, valores individualizados e registros das cobranças. Os comerciantes seriam constrangidos a realizar os pagamentos por medo de represálias.
Diálogos, planilhas, listas de estabelecimentos e comprovantes de transferências bancárias estão entre os elementos reunidos pelos investigadores. A Polícia Civil apura se contas bancárias de terceiros e uma empresa eram utilizadas para receber e movimentar dinheiro proveniente do tráfico e das extorsões.
Além dos mandados, oito investigados foram submetidos a medidas cautelares, como comparecimento periódico à Justiça, proibição de contato com outros envolvidos, restrição de acesso a determinados locais e impedimento de deixar a comarca sem autorização judicial.
Também foi determinado o bloqueio de ativos financeiros de três investigados e de uma pessoa jurídica. Uma empresa suspeita de ser usada para movimentar e ocultar recursos teve as atividades econômicas e financeiras suspensas.
Comandos partiam de presídios
A investigação começou após uma prisão em flagrante por tráfico de drogas ocorrida em fevereiro de 2025, em Pedra Preta. A partir do material apreendido, os policiais tiveram acesso a mensagens, áudios, imagens, comprovantes bancários e planilhas atribuídas ao grupo.
A análise apontou uma estrutura com divisão de tarefas entre lideranças, gerentes locais, operadores financeiros, distribuidores de drogas e integrantes responsáveis por acompanhar a movimentação das forças de segurança.
Parte das atividades, conforme a Polícia Civil, era comandada de dentro de unidades prisionais por meio de celulares utilizados clandestinamente. Grupos de mensagens serviriam para controlar as finanças, prestar contas, distribuir ordens e orientar integrantes sobre como evitar ações policiais.
O material apreendido nesta terça-feira será analisado para identificar outros possíveis participantes e aprofundar a apuração dos crimes. A Polícia Civil ainda não informou quantas pessoas foram presas durante a operação.