Outro grupo é formado pelos grandes polos urbanos, como Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis. Nesses municípios, além da atividade econômica, a concentração de hospitais, universidades, comércio, administração pública, logística e serviços especializados também contribui para atrair moradores.
Há ainda cidades como Tangará da Serra e Barra do Garças, que funcionam como polos regionais. Elas atraem moradores de municípios menores do entorno em busca de emprego, educação, saúde, comércio e serviços. Para o professor, o fenômeno pode ser explicado pela busca por oportunidades.
“As pessoas estão seguindo as oportunidades. Mato Grosso está reproduzindo internamente um fenômeno clássico das sociedades em desenvolvimento: a migração em direção aos polos que concentram emprego, renda e serviços”, explicou.
Munhoz destacou que o crescimento do agronegócio não significa, necessariamente, aumento expressivo de trabalhadores diretamente no campo, já que a produção é altamente mecanizada. O impacto populacional aparece principalmente nas cidades que prestam serviços ao setor e industrializam a produção.
Sinop é apontada por ele como um dos principais exemplos. Segundo o professor, a cidade deixou de ser apenas um centro ligado à produção agrícola e passou a concentrar universidades, serviços médicos, comércio e empresas que atendem a uma extensa região do norte de Mato Grosso.
O crescimento populacional, segundo o professor, tende a ser positivo para a economia, pois amplia o mercado consumidor, a oferta de mão de obra, os investimentos e a arrecadação. O desafio, porém, é garantir que a infraestrutura acompanhe o aumento de moradores.
“Crescer é uma boa notícia, desde que a infraestrutura cresça junto com a população”, afirmou o professor.
Municípios que perderam mais de 100 habitantes
Para o professor Munhoz, nos municípios que apresentaram redução populacional, o fenômeno é praticamente o inverso. Entre eles estão Jauru, Guiratinga, General Carneiro e outras cidades que tiveram ciclos econômicos importantes, ligados à mineração, madeira, pecuária ou agricultura, mas não conseguiram desenvolver novas atividades com capacidade semelhante de gerar empregos urbanos. Segundo ele, essa situação provoca o que os estudos demográficos chamam de migração seletiva.
Confira os municípios que apresentaram perda de mais de 100 habitantes:
Municípios que perderam mais de 100 habitantes entre 2025-2026
| Município |
População estimada em 2025 |
População estimada em 2026 |
Decréscimo populacional entre 2025-2026 |
| São José dos Quatro Marcos |
17.721 |
17.613 |
-108 |
| Guarantã do Norte |
31.209 |
31.092 |
-117 |
| Cláudia |
9.301 |
9.168 |
-133 |
| Denise |
6.675 |
6.536 |
-139 |
| Vila Rica |
19.686 |
19.545 |
-141 |
| Barra do Bugres |
29.406 |
29.238 |
-168 |
| Alto Paraguai |
7.525 |
7.335 |
-190 |
| Rosário Oeste |
15.041 |
14.848 |
-193 |
| São José do Rio Claro |
14.455 |
14.250 |
-205 |
| Guiratinga |
10.252 |
9.975 |
-277 |
| Jauru |
7.881 |
7.522 |
-359 |
| Cotriguaçu |
10.030 |
9.665 |
-365 |
O movimento costuma começar quando jovens deixam o município para estudar em cidades maiores, como Cuiabá, Sinop, Rondonópolis e Cáceres. Depois de concluir os estudos e conseguir emprego, muitos acabam formando família e permanecendo nesses centros.
“Normalmente, são os jovens, que têm maior participação na população economicamente ativa, que apresentam maior propensão a sair", afirmou o professor.
A perda contínua de moradores pode gerar impactos econômicos e sociais. Entre eles estão a redução do mercado consumidor, menor oferta de mão de obra, dificuldade para atrair empresas e investimentos e envelhecimento da população. O professor também aponta a possibilidade de um ciclo de perda populacional.
“Menos oportunidade, saída de jovens, mercado menor, menos investimento, menos oportunidade e nova saída populacional.”
Para ele, embora uma redução da população possa gerar algum alívio momentâneo na demanda por infraestrutura, habitação e serviços públicos, porém, a perda persistente tende a produzir mais efeitos negativos para os municípios.
Ainda na comparação, temos o município de Apiacás, que ficou na categoria de município 'nem-nem': que nem cresceu, nem diminuiu a quantidade de habitantes no último ano. Para Munhoz, isso não significa necessariamente estagnação econômica. Em cidades pequenas, diferenças de poucos habitantes podem estar relacionadas à própria metodologia utilizada nas estimativas populacionais.