A prefeita de Cáceres, Eliene Liberato, fechou a torneira para os servidores públicos, mas deixou o palco com a luz acesa. Três dias depois de publicar um decreto de contenção de despesas, a prefeitura divulgou sete contratos de shows que somam R$ 632 mil.
O Decreto nº 432 suspendeu horas extras, novas gratificações, adicionais, licenças remuneradas para pós-graduação, mestrado e doutorado e a conversão de licença-prêmio em dinheiro. A justificativa foi a frustração de receitas e a previsão de déficit orçamentário e financeiro em 2026.
Enquanto os servidores enfrentam a tesoura, a prefeitura publicou contratos de R$ 250 mil para Bruna Karla, R$ 130 mil para Brenno Reis e Marco Viola, R$ 75 mil para Cesinha Mello, R$ 69 mil para Matheuzinho Sucessinho, R$ 50 mil para a Banda Bom D’Farra, R$ 30 mil para a Banda Azis do Forró e R$ 28 mil para Tia Hanna.
Os contratos foram assinados entre os dias 1º e 10 de julho, e os shows ocorreram antes do decreto. A publicação, contudo, só aconteceu depois de a prefeitura anunciar a crise. A sequência dos atos levanta uma pergunta inevitável: quando autorizou os gastos, a prefeita ainda não sabia que as contas do município já estavam em situação delicada?
E tem mais. No dia 29 de julho, já durante a vigência das medidas de contenção, a Secretaria de Turismo homologou outra contratação, no valor de R$ 60 mil, para um show da Banda Novo Som. Com isso, os atos publicados chegam a R$ 692 mil.
O próprio decreto permite exceções para eventos tradicionais, mas determina que os gastos sejam reduzidos ao “mínimo indispensável”. Para o servidor, a ordem é economizar. Para o palco, ainda tem bis.