O advogado Diogo Botelho, do PDT, foi escolhido nesta quinta-feira (30) para ocupar a vaga de vice na chapa de Natasha Slhessarenko, do PSD, na disputa pelo governo de Mato Grosso. A definição ocorreu durante as convenções da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e dos partidos aliados, entre eles PSD, PSB e o próprio PDT, reunidos no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá. A escolha garante a permanência dos pedetistas na coligação e encerra um impasse que se arrastava desde as negociações sobre a chapa ao Senado.
O PDT condicionava o apoio a Natasha à participação na chapa majoritária. A legenda havia retirado a pré-candidatura do professor Caiubi Kuhn ao governo e passou a defender espaço para Botelho na disputa pelo Senado, posição sustentada publicamente pela presidente estadual do partido, Miriam Calazans, que chegou a admitir a hipótese de candidatura própria e liberação dos filiados caso o espaço não fosse assegurado. Em convenção realizada no dia 25, o partido homologou as chapas de deputado federal e estadual, com nomes de 17 municípios, e delegou à executiva estadual a condução das negociações sobre a majoritária, mantendo Botelho como representante nessas conversas.
Com a vaga de vice, o PDT sai da disputa pelo Senado. A chapa do bloco para as duas cadeiras ficou com o senador Carlos Fávaro, do PSD, que tenta a reeleição, e o ex-governador Pedro Taques, do PSB, que assumiu a presidência estadual da legenda em janeiro. A distribuição das suplências seguia em negociação entre os partidos até o início da noite.
Antes da definição, o PT havia apresentado o vereador de Rondonópolis Wendell Girotto como alternativa para a vice. A escolha de Botelho desloca o espaço para o PDT e resolve, ao mesmo tempo, a resistência que a legenda vinha oferecendo ao arranjo do Senado.
O nome do vice foi mantido em sigilo até a convenção. Nos dias anteriores, a equipe da candidata não informava sequer se a vaga seria ocupada por um homem ou por uma mulher, estratégia adotada para concentrar o anúncio no ato político da noite.
O acerto sobre o Senado ainda carrega arestas. PV e PCdoB manifestaram resistência à indicação de Pedro Taques e chegaram a se recusar a assinar a nominata da federação, com argumentos que incluem a posição dele durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. As duas siglas defendem a permanência de Fávaro na chapa. O PCdoB também tinha pré-candidatura própria ao Senado, com a professora Patrícia Nogueira.
Natasha chega à convenção com a candidatura consolidada dentro do PSD. O ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro chegou a movimentar aliados para viabilizar o próprio nome, movimento rejeitado pelas lideranças da federação e encerrado depois que o presidente estadual do partido, Carlos Fávaro, garantiu publicamente que ela seria a candidata. A médica afirma que a disputa interna está pacificada.
A divisão no campo adversário entrou na avaliação dela sobre a disputa. Natasha afirmou que o racha entre os grupos de centro-direita pode beneficiar o campo progressista e citou o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Mato Grosso, segmento que diz representar na eleição estadual. Ela é a única mulher entre os nomes postos até agora para o Palácio Paiaguás.
O tabuleiro estadual se fechou em grande parte nesta mesma quinta-feira. Horas antes, a convenção do União Brasil rejeitou a candidatura própria do senador Jayme Campos e decidiu apoiar a reeleição do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, que já contava com Progressistas e Cidadania. O PL mantém a pré-candidatura do senador Wellington Fagundes e realiza convenção em 5 de agosto. O Republicanos oficializa Pivetta em 4 de agosto. Todas as legendas têm até 5 de agosto para registrar os nomes na Justiça Eleitoral, e as substituições vão até 15 de agosto.