O senador Jayme Campos saiu derrotado da convenção do União Brasil realizada nesta quinta-feira (30), em Cuiabá. Por 30 votos a 19, os convencionais recusaram o lançamento de uma candidatura própria ao Governo de Mato Grosso e autorizaram o partido a avançar nas negociações para apoiar a reeleição do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos. A votação ainda teve uma abstenção e um voto nulo.
O resultado fortaleceu a estratégia defendida pelo ex-governador Mauro Mendes, presidente estadual do União Brasil e também da federação formada com o Progressistas. Embora o Republicanos não faça parte da União Progressista, Mauro sustentava que a legenda deveria permanecer ao lado de Pivetta, considerando a parceria construída pelo grupo político ao longo dos últimos sete anos.
A decisão, entretanto, aprofundou a divisão interna. A reunião teve discussões acaloradas, gritos e acusações de traição. Integrantes do grupo de Jayme contestaram a maneira como Mauro conduziu as articulações e afirmaram que decisões individuais teriam sido tomadas para favorecer um candidato de outra legenda.
Uma das reações mais duras partiu do deputado estadual Dilmar Dal Bosco. O parlamentar chamou a movimentação de traição e manteve a crítica mesmo depois de ser pressionado por Mauro a se retratar.
Jayme chegou à convenção acreditando possuir votos suficientes para vencer. Nos dias anteriores, o senador afirmava contar com o apoio de 31 a 35 dos 51 convencionais. Mauro Mendes criticou a divulgação dessa projeção e classificou como deselegante a exposição antecipada dos votos. A disputa interna também produziu acusações sobre uma possível tentativa de compra de apoio.
Apesar da crise em torno da eleição estadual, o partido confirmou Mauro Mendes como candidato ao Senado e aprovou as chapas para deputado estadual e federal. As listas reúnem parlamentares em busca de novo mandato e representantes da Baixada Cuiabana e de municípios do interior.
A composição ainda deverá receber candidatos do Progressistas, que integra nacionalmente a mesma federação do União Brasil.