O governo de Mato Grosso adiou a contratação das obras do corredor do BRT na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, e transferiu a execução do trecho para a próxima gestão estadual. A informação foi dada nesta segunda-feira (13) pelo secretário-adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano, Isaac Nascimento Filho, durante audiência pública na Assembleia Legislativa convocada pelo deputado Lúdio Cabral (PT) para cobrar explicações sobre os atrasos e os custos do sistema. Segundo ele, os projetos do trecho já estão prontos, mas o governo decidiu suspender a contratação para evitar novos impactos no trânsito da capital.
Com isso, cai a promessa que a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística vinha repetindo de que o BRT estaria integralmente concluído até dezembro de 2026. O corredor da Fernando Corrêa é uma das principais vias de acesso ao centro de Cuiabá e passa a depender da administração seguinte.
O restante da obra segue com cronogramas distintos. O primeiro lote, que compreende o trecho entre o Terminal do CPA e o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, tem previsão contratual de conclusão até novembro deste ano. É a etapa mais extensa do projeto.
O segundo lote, que prevê a construção das estações climatizadas de embarque e desembarque, tem expectativa de conclusão até dezembro. A licitação desse trecho atraiu apenas uma empresa participante.
Já o terceiro lote, destinado aos terminais e aos pontos de parada entre Várzea Grande, o Porto e o CPA, reuniu sete interessadas. A empresa vencedora já foi contratada e elabora os projetos executivos, além de providenciar as licenças necessárias para o início das obras.
Os contratos assinados para o sistema somam R$ 533 milhões, dos quais R$ 206 milhões já foram pagos. O contrato original, firmado com o Consórcio Construtor BRT e avaliado em R$ 468 milhões, foi rescindido por não execução dos serviços, mas o Estado desembolsou R$ 130 milhões, valor que inclui reajustes. Após a rescisão, o lote destinado aos terminais e ao Centro de Controle Operacional foi contratado por dispensa eletrônica em abril, por R$ 128 milhões, junto à Lotufo Engenharia. As contratações emergenciais adotadas depois da rescisão são alvo de representação apresentada por Lúdio Cabral ao Tribunal de Contas do Estado, sob relatoria do conselheiro Guilherme Maluf, que apura possível fracionamento indevido do objeto.
O sistema foi anunciado em 2020, quando o governo trocou o VLT pelo BRT, com previsão de entrega até dezembro de 2022.