Açúcar misturado com arsênio lançado de aeronaves para envenenar crianças e adultos. Explosivos, disparos de arma de fogo e golpes de facão para dizimar qualquer sobrevivente. Cerca de 3,5 mil indígenas do povo Cinta Larga foram assassinados em um único ataque que ficou mundialmente conhecido como o Massacre do Paralelo 11.
Ocorrido em 1963, no noroeste de Mato Grosso, o episódio é considerado um dos mais violentos da história do Estado e um dos maiores massacres contra povos indígenas registrados no Brasil no século XX. Ainda assim, mais de seis décadas depois, permanece quase desconhecido pela população, ausente dos livros de História e cercado por perguntas que jamais foram respondidas.
Até hoje, nem mesmo o local exato da tragédia é conhecido. O nome Paralelo 11 faz referência à coordenada geográfica aproximada da região onde ocorreu o massacre.
Parte dessa história foi contada pelo professor e pesquisador Julio César dos Santos, em sua tese de doutorado "A fronteira como lugar das diferenças: Rikbaktsa entre a Igreja e o Estado (1930-1985)", vinculada ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).