O Governo de Mato Grosso publicou nesta sexta-feira (3) o plano que vai orientar o funcionamento do programa SER Família Pet, a política estadual de proteção animal criada em fevereiro. O documento, aprovado por portaria da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania e assinado pelo secretário Klebson Gomes Haagsma, define os eixos de atuação, as fontes de dinheiro e as regras para os municípios que quiserem aderir. A meta é oferecer castração, vacinação, microchipagem e atendimento veterinário gratuito a famílias em situação de vulnerabilidade em todo o Estado.
Diagnóstico oficial expõe que dos 142 municípios de Mato Grosso, apenas 11 têm hoje alguma estrutura organizada para ações permanentes de proteção animal. Na prática, mais de 90% das cidades dependem de ações pontuais, do trabalho de protetores independentes e de organizações da sociedade civil. Contudo, o texto aponta três problemas: a superpopulação de cães e gatos por falta de programas contínuos de castração, o abandono de ninhadas em terrenos baldios e o custo da medicina veterinária privada, que afasta as famílias mais pobres dos serviços.
A execução foi dividida em eixos. O primeiro trata da saúde animal e prevê a implantação de hospitais veterinários públicos, começando pela Baixada Cuiabana e por polos regionais, com consultas, exames, cirurgias e internações para os animais do público atendido. Outro eixo aposta no controle populacional por meio de unidades móveis de castração, os chamados castramóveis, voltados às periferias e ao interior, e na microchipagem obrigatória dos animais atendidos, com registro em um cadastro estadual. Há ainda frentes voltadas à educação para a guarda responsável nas escolas e ao combate aos maus-tratos, em articulação com as polícias Civil e Militar.
O dinheiro do programa virá do Fundo Estadual de Proteção Animal, vinculado à Setasc. Entre as fontes previstas está a destinação integral das multas aplicadas por maus-tratos a animais no Estado, além de recursos do orçamento anual, emendas parlamentares, doações e parcerias com empresas.
Para receber repasses, os municípios terão de cumprir exigências como a criação de um conselho municipal de bem-estar animal e a oferta de espaço físico para triagem e abrigo temporário. A adesão é voluntária.
A política foi criada pela Lei Complementar 835, sancionada em fevereiro, resultado de articulação conduzida pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (Podemos), e idealizada pela então primeira-dama Virginia Mendes. A lei também vinculou a pauta à área de assistência social, com o argumento de que a falta de cuidado com os animais é uma das faces da vulnerabilidade das famílias. A portaria agora publicada é o passo que transforma esse marco legal em plano de execução.