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01/07/2026 - 14:05

Mato Grosso é o segundo estado que mais gasta com magistrados e custo mensal chega a R$ 177 mil por cada juiz, diz CNJ

Enquanto cúpula lidera ranking nacional de despesas operacionais, TJMT enfrenta maior crise institucional da história com três desembargadores e seis juízes afastados por suspeita de corrupção e venda de sentenças

Por ANA JÁCOMO DO REPÓRTERMT

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 (Crédito: Reprodução)

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) detalhou no relatório Justiça em Números 2026 a composição exata dos gastos que colocam o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) na vice-liderança nacional de despesas por magistrado.

Segundo o documento, o custo médio mensal é de R$ 177.613 para cada juiz ou desembargador em atividade no estado, valor inferior apenas ao registrado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

Segundo o documento, o custo médio mensal é de R$ 177.613 para cada juiz ou desembargador em atividade no estado, valor inferior apenas ao registrado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

 

Os dados financeiros vêm a público no momento em que o TJ enfrenta uma severa crise institucional, agravada pela deflagração de operações da Polícia Federal que apontam a existência de um suposto esquema de venda de sentenças na cúpula do Judiciário mato-grossense.

As cifras apontadas pelo CNJ representam o custo operacional total do cargo para o erário estadual, composto por uma equação que soma diferentes despesas administrativas e encargos, e não o subsídio líquido que entra na conta bancária dos integrantes da magistratura.

 

A composição do custo por magistrado inclui o subsídio base fixado por lei, encargos sociais obrigatórios, recolhimentos previdenciários patronais pagos pelo Estado, direitos eventuais, como férias atrasadas indenizadas ou gratificações temporárias por acúmulo de comarcas, e verbas de caráter estritamente indenitário.

Como base de comparação, o custo médio de manutenção de cada servidor público do Judiciário estadual é de R$ 25.485 por mês, colocando o estado na 8ª colocação do ranking nacional nessa categoria.

Crise institucional e venda de sentenças na cúpula

Paralelamente aos gastos operacionais, o Palácio da Justiça em Cuiabá é alvo de investigações que já resultaram no afastamento formal de três desembargadores da ativa. A Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal, apontou o uso de transações imobiliárias e o envolvimento do deputado Faissal Calil (PL) como suposto operador para mascarar propinas.

O principal alvo da ação é o desembargador Dirceu dos Santos, afastado de suas funções pelo CNJ em março de 2026 após apuração da Corregedoria Nacional de Justiça indicar uma movimentação financeira de R$ 14,6 milhões em cinco anos, montante considerado incompatível com seus subsídios.
A investigação aponta para a existência de um "balcão de negócios" na 3ª Câmara de Direito Privado, com evolução patrimonial injustificada de quase R$ 2 milhões apenas em 2023.

O cerco ao tribunal se intensificou a partir dos desdobramentos do caso Zampieri, iniciado após o assassinato do advogado Roberto Zampieri no final de 2023.

Evidências extraídas do aparelho celular do advogado motivaram o afastamento imediato dos desembargadores João Ferreira Filho e Sebastião de Moraes Filho pelo CNJ, sob a acusação de recebimento de vantagens financeiras em troca de acórdãos favoráveis a grupos econômicos específicos.

Histórico de punições e magistrados afastados

O histórico do Tribunal de Justiça de Mato Grosso acumula uma lista de membros do segundo grau que sofreram punições administrativas ou afastamentos determinados pelos órgãos de controle. Entre as condenações históricas estão as aposentadorias compulsórias aplicadas pelo CNJ aos desembargadores e ex-presidentes José Ferreira Leite e Mariano Travassos, além do desembargador José Tadeu Cury e do juiz Círio Miotto, somadas ao afastamento de Donato Fortunato Ojeda.

As investigações não se limitam à segunda instância e atingem também juízes de primeiro grau em diferentes comarcas do interior do estado. Atualmente, seis juízes estão afastados de suas funções por determinação legal: Mirko Vincenzo Gianotte (Comarca de Sinop);Silvia Renata Anffe (Comarca de Sorriso) – investigada por suposto favorecimento e enriquecimento ilícito.

Anderson Candiotto (Comarca de Sorriso), investigado por suposto favorecimento e enriquecimento ilícito; Ivan Lúcio Amarante (Comarca de Vila Rica), investigado por proximidade suspeita com o advogado Roberto Zampieri;Tatiana dos Santos Batista (Comarca de Vila Bela), afastada sob a acusação de abandono de comarca.

Maria das Graças Gomes da Costa (Comarca de Rondonópolis) foi afastada da Vara Especializada da Infância e Juventude sob suspeita de favorecer o próprio marido em um caso de feminicídio.

 

 

Os dados financeiros vêm a público no momento em que o TJ enfrenta uma severa crise institucional, agravada pela deflagração de operações da Polícia Federal que apontam a existência de um suposto esquema de venda de sentenças na cúpula do Judiciário mato-grossense.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) detalhou no relatório Justiça em Números 2026 a composição exata dos gastos que colocam o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) na vice-liderança nacional de despesas por magistrado.

Segundo o documento, o custo médio mensal é de R$ 177.613 para cada juiz ou desembargador em atividade no estado, valor inferior apenas ao registrado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

 

 

Os dados financeiros vêm a público no momento em que o TJ enfrenta uma severa crise institucional, agravada pela deflagração de operações da Polícia Federal que apontam a existência de um suposto esquema de venda de sentenças na cúpula do Judiciário mato-grossense.

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2 comentários

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  • por Zé Bocó, em 02.07.2026 às 13:41

    A construção social brasileira é marcada pela manutenção de toda forma de injustiça, o que foi descrito acima é apenas a forma como se dá essa manutenção, há uma semana atrás uma servidora foi demitida por negociar a anulação de uma pena, isso nos dá uma sensação de que cada um se aproveita da microfísica de poder acessível como bem entende para ter vantagen$. Fica a dica pro jornal expor também as decisões judiciais locais no mínimo esdrúxulas: em 2024 presos com 420 kg de drogas, soltos por serem mulas pobres e não ter a intenção de ser criminosos, outro: em 2025 apreendido com 15kg de drogas soltos por não oferecer risco social, outros há poucos dias foram soltos por falha na cadeia de custódia das provas, há poucos dias outro jornal denunciou, que a biometria de um indivíduo foi usada dentro da delegacia para assinar um documento falso. Conclusão: crimes cometidos se valendo do cargo em instituições judiciárias deveriam ser hediondos, e o fim da aposentadoria compulsória deveria ser comemorada com um carnaval fora de época!

  • por lucas, em 02.07.2026 às 10:52

    Nesse contexto, valorizar a magistratura do Estado de Mato Grosso significa fortalecer a própria Justiça e reafirmar o compromisso com a cidadania. Parte de um artigo escrito no Mídia News, de autoria do advogado José Roberto Corbelino, li e concordo em parte, mas tem um ditado que diz, o respeito se consegue dando respeito e tendo autonomia, como pode um juiz concursado abaixar a cabeça para um governador que mesmo eleito pelo povo, ficará somente 4 anos? a independência, autonomia e pulso firme se constrói em grupo, quando um magistrado age de forma inequívoca quem deve pagar é ele, não se deve os demais apoiarem, aposentadoria compulsória para quem cometeu crimes? Isso a meu ver é uma aberração, sabemos que antigamente muitos juízes, promotores e delegados eram escolhidos pelos coronéis, foram esses que construíram toda essa bagunça em que se encontram o poder judiciário, é preciso mudar, e o ministro Flávio Dino a meu ver está iniciando uma grande fase para essa mudança, bandido deve ser punido seja ele qual for, aposentadoria compulsório NUNCA MAIS, a sociedade não vai se calar, não vai se calar...

 
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