Notícias / Política

20/06/2026 - 11:14

TCE manda Sinfra explicar R$ 400 milhões em contratos sem licitação do BRT

O relator juntou o caso a duas fiscalizações que já corriam no tribunal sobre o mesmo sistema de transporte e deu cinco dias úteis para a secretaria se manifestar.

Por Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução

 (Crédito: Reprodução)
O secretário de Infraestrutura de Mato Grosso, Marcelo de Oliveira, terá de explicar ao Tribunal de Contas por que a obra do BRT de Cuiabá e Várzea Grande vem sendo tocada por uma série de contratações sem licitação. O conselheiro relator Guilherme Antonio Maluf notificou o secretário para se manifestar em cinco dias úteis sobre quatro dispensas de licitação que, somadas, ultrapassam R$ 400 milhões, depois de receber uma representação do deputado estadual Lúdio Cabral (PT).

A dispensa de licitação é uma exceção prevista em lei: permite ao poder público contratar direto, sem concorrência, em situações de emergência. O argumento usado pela Sinfra para acionar essa via foi a paralisação das obras do BRT. O contrato original do sistema, fechado em 2022 com um consórcio por cerca de R$ 503 milhões, foi rescindido em março de 2025, e a partir daí o governo passou a contratar as obras remanescentes em lotes, por dispensa.

São quatro dispensas no total. A primeira, de 2025, contratou as obras de infraestrutura de um primeiro lote por R$ 155,1 milhões, com um consórcio. As duas seguintes trataram do mesmo lote de estações do BRT: uma primeira tentativa, de cerca de R$ 68,8 milhões, fracassou depois que a empresa mais bem classificada foi barrada, e a contratação acabou refeita meses depois por R$ 120,4 milhões. A quarta, já de 2026, contratou os terminais e o Centro de Controle Operacional por R$ 128 milhões.

Na representação, o deputado sustenta que todas as dispensas se apoiam na mesma justificativa de origem, a interrupção das obras, sem que tenha surgido um fato novo a caracterizar uma emergência diferente para cada contratação. Para ele, dividir a obra em lotes não cria situações emergenciais separadas nem reinicia o prazo legal que limita esse tipo de contratação. Cabral argumenta ainda que os projetos das obras restantes já estavam prontos, o que enfraqueceria a alegação de que não havia tempo de fazer uma licitação comum.

O parlamentar também questiona a diferença de valores entre as duas dispensas para o mesmo conjunto de estações. Entre a tentativa que fracassou e a contratação que vingou, o valor estimado subiu cerca de R$ 51 milhões, alta de quase 75%, sem que o objeto e os quantitativos tivessem mudado de forma relevante, segundo ele. Outro ponto levantado é a presença repetida da mesma construtora nas obras dos três lotes, ora dentro de um consórcio, ora contratada diretamente, situação que, na visão do deputado, precisa ser examinada à luz da regra que veda recontratar a mesma empresa com base na mesma emergência.

Ao receber o caso, o tribunal verificou que a obra do BRT já estava sob análise do conselheiro Maluf em outros dois processos, um acompanhamento das obras e uma representação interna, e por isso reuniu tudo sob a mesma relatoria. O relator não decidiu, por ora, sobre o pedido de suspender novas contratações nem sobre a auditoria solicitada: primeiro abriu prazo para a Sinfra apresentar sua versão antes de qualquer medida.

Procurada na Assembleia, a Sinfra tem defendido que as contratações seguiram a legislação. O secretário foi convocado pela Assembleia Legislativa para explicar os mesmos contratos em audiência marcada para meados de junho. As obras do BRT, prometidas há anos, seguem inacabadas, e trechos do sistema ainda não têm contrato definido.

Comentários

inserir comentário
0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Jornal Oeste. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Jornal Oeste poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
Sitevip Internet