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08/04/2026 - 15:52

Relatório da prefeitura sobre Praça da Feira e Didi Profeta expõe contas que não fecham

Por Folha 5

Ronivon Barros

 (Crédito: Ronivon Barros)
A Prefeitura de Cáceres conseguiu produzir um feito que não deveria acontecer em documento oficial. No mesmo relatório em que informa a conclusão da Praça da Feira e do Ginásio Didi Profeta, a gestão lança números que entram em choque com a própria narrativa de obra entregue. Não é adversário falando, nem oposição levantando suspeita. A contradição está escrita no relatório técnico de obras em andamento de março de 2026 que foi publicado nesta terça-feira(07).

No caso da Praça da Feira, o documento informa que a obra de reforma e revitalização teve valor inicial de R$ 1.975.551,35 e valor final de R$ 2.890.561,83. Até aí, tudo certo no papel. O problema começa quando o próprio relatório registra valor aplicado de R$ 1.752.909,85, o equivalente a 61% do total, e, mesmo assim, crava que a obra foi “concluída e recebida definitivo” em 12 de março de 2026. A conta não fecha. Se a obra foi recebida em definitivo, o relatório precisa explicar por que o valor aplicado ficou tão abaixo do valor final informado.

Se na Praça da Feira a inconsistência já causa estranheza, no Ginásio Didi Profeta o negócio fica ainda mais escancarado. O relatório diz que a obra de urbanização e reforma interna saiu de R$ 4.448.502,92 para R$ 5.758.978,64. Também informa que já foram aplicados R$ 4.445.082,47. Só que, no campo destinado ao “percentual total aplicado”, a prefeitura lançou singelamente 0%. Isso mesmo. Zero por cento. E, no mesmo trecho, afirma que o ginásio foi “concluído e recebido definitivamente” em 16 de março de 2026. Ou seja, para o relatório da prefeitura, uma obra pode estar concluída, recebida, com milhões aplicados, mas ao mesmo tempo aparecer com percentual zerado.

É aqui que a história deixa de ser mero detalhe burocrático e passa a ser problema de transparência. Relatório oficial não é enfeite administrativo. É instrumento de prestação de contas. Serve para mostrar à população, aos órgãos de controle e aos próprios vereadores o que foi feito, quanto custou e em que estágio está cada obra. Quando o documento sai com esse tipo de contradição, a gestão não pode fingir que se trata de uma coisinha sem importância.

A situação é ruim porque atinge duas obras de grande visibilidade. A Praça da Feira fica em área central de Cáceres e tem impacto direto no comércio popular e na circulação de moradores. O Didi Profeta é um dos principais equipamentos esportivos da cidade. Não se trata de uma obra escondida no rodapé da administração. São intervenções que naturalmente atraem atenção pública. Justamente por isso, o mínimo que se espera é coerência nos dados apresentados pela prefeitura.

O mais incômodo é que a própria gestão oferece o material que alimenta a dúvida. Não foi necessário cruzar planilhas complexas nem recorrer a denúncia anônima. Bastou ler o relatório. Na Praça da Feira, o documento diz que a obra acabou, mas o valor aplicado indica execução de 61%. No Didi Profeta, o relatório admite mais de R$ 4,4 milhões aplicados e, ainda assim, zera o percentual total. Em qualquer leitura minimamente séria, isso exige explicação.

A prefeitura agora precisa dizer com clareza o que houve. Houve erro de preenchimento. Houve falha de atualização. Os percentuais foram lançados de forma equivocada. O valor aplicado não reflete a execução real. O relatório foi publicado sem revisão. Qualquer que seja a resposta, ela precisa vir acompanhada de correção técnica e transparência, porque o documento, do jeito que está, mais confunde do que esclarece.

No fim das contas, o relatório que deveria servir para demonstrar controle acaba prestando outro serviço. Mostra que, dentro da própria máquina pública, os números nem sempre caminham junto com o discurso de obra entregue. E quando a papelada oficial começa a se enrolar sozinha, o cidadão tem todo o direito de perguntar se a gestão sabe exatamente o que está assinando e divulgando.

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