A saída de Juarez do MDB e a ida de Emanuelzinho para o PSD mudariam o cenário político de Mato Grosso e teriam impacto direto na disputa por vagas de deputado federal na região Oeste. As movimentações alterariam o equilíbrio entre os partidos e tornariam a eleição mais técnica, exigindo não apenas votação, mas também posicionamento estratégico dentro de chapas competitivas.
Juarez, com base consolidada no Nortão, fortaleceria o Republicanos e concentraria votos dentro da legenda. A tendência seria de o partido conquistar apenas uma vaga, com Juarez como principal favorito, podendo ultrapassar a marca de 90 mil votos. Esse movimento reduziria o espaço interno e elevaria o nível de exigência para outros candidatos da chapa.
Nesse cenário, a situação do cacerense Leonardo seria a mais afetada. Mesmo tendo feito cerca de 40 mil votos na última eleição, ainda no exercício do mandato, ele hoje ficaria abaixo do nível mínimo de competitividade. Considerando um coeficiente estimado em 231 mil votos, seria necessário alcançar pelo menos 47 mil votos para permanecer na disputa real. Além disso, para viabilizar uma eleição, dependeria de uma conjuntura ainda mais complexa, com o partido alcançando duas vagas e enfrentando nomes de grande peso, o que tornaria a tarefa ainda mais difícil. A conjuntura política também não seria favorável, já que Leonardo estaria sem mandato, distante da base eleitoral e fora das prioridades do grupo do governador Mauro Mendes, que concentraria esforços em Fábio Garcia e Virginia Mendes. Nesse contexto, a avaliação política seria de que Leonardo dependeria de um crescimento expressivo e de uma combinação de fatores difíceis de se concretizar, ficando fora da disputa competitiva.
Por outro lado, o PSD ganharia força com a chegada de Emanuelzinho e passaria a ter chances reais de conquistar até duas vagas na Câmara Federal. Com uma chapa mais equilibrada e maior densidade eleitoral, o partido abriria espaço para candidaturas competitivas. Nesse ambiente, o nome de Irajá Lacerda se destacaria. Na última eleição, ele alcançou cerca de 55 mil votos, superando com folga a linha mínima de competitividade e registrando desempenho mais de 35% superior ao de Leonardo, mesmo sendo sua primeira disputa. Além disso, teria ampliado sua articulação política, ganhado projeção e se tornado prioridade dentro do PSD, com respaldo do presidente nacional Gilberto Kassab. Inserido em uma chapa com possibilidade real de duas vagas, Irajá partiria de um patamar competitivo e não dependeria de um salto fora da curva para se manter na disputa.
Com as movimentações, o cenário no Oeste ficaria mais claro e mais seletivo. A eleição deixaria de ser definida apenas por votação passada e passaria a depender de estratégia, força de chapa e capacidade de atingir o mínimo competitivo. Nesse novo desenho, poucos nomes permaneceriam no jogo, e, na região Oeste, Irajá se consolidaria como o único com chances reais de disputar uma vaga federal, enquanto Leonardo ficaria fora do campo competitivo.