Simone da Silva Matiuzi, de 35 anos, teve a vida interrompida por um homem nessa quinta-feira (12) em Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) e, com a morte dela, o estado passa a registrar sete feminicídios apenas em 2026 – sendo que três deles ocorreram nesta semana.
Com isso, o total de casos neste ano em Mato Grosso já representa 13% dos registros do ano passado, segundo dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público estadual (MPMT).
Os últimos três casos registrados: Gabia, Estefane e Simone, ocorreram na mesma semana, em diferentes cidades mato-grossenses.
FEMINICÍDIOS EM MATO GROSSO 2026
Laila Carolina Souza da Conceição
29 anos
Morta a facadas pelo companheiro.
11 jan • Nova Maringá
Ana Paula Lima Carvalho
48 anos
Morta a facadas pelo ex-genro.
3 fev • Chapada dos Guimarães
Jaqueline de Araujo dos Santos
40 anos
Morta a facadas pelo companheiro.
10 fev • Lucas do Rio Verde
Luciene Naves Correia
51 anos
Morta a tiros pelo ex-marido.
16 fev • Cuiabá
Gabia Socorro da Silva
38 anos
Morta a facadas pelo marido.
10 mar • São José do Xingu
Estefane Pereira Soares
17 anos
Estuprada e morta; suspeito é o irmão.
11 mar • Cuiabá
Simone da Silva Matiuzi
35 anos
Agredida e atropelada; suspeito é o namorado.
12 mar • Vila Bela da Santíssima Trindade
Seis das vítimas deste ano foram mortas no lugar onde moravam – o que reforça os dados do Observatório Caliandra divulgados em 2025: mais de 70% dos casos de feminicídio registrados no estado aconteceram nas casas das próprias mulheres mortas.
Apesar do total de sete feminicídios em 2026, a última atualização do Observatório Caliandra foi feita nessa quinta-feira e, por isso, o número ainda é de seis casos; como você pode ver na linha do tempo de feminicídios a partir de 2019.
Medidas protetivas, proximidade com o agressor e mortes em casa
Dentre as vítimas de feminicídio do ano passado, apenas 13% delas tinham medidas protetivas contra seus agressores. Neste ano, a professora Luciene Naves Correia, de 51 anos (4ª vítima de feminicídio no estado) tinha medida protetiva contra o ex-marido, Paulo Neves Bispo, de 61 anos, suspeito do crime.
Ainda conforme o levantamento do Caliandra do ano passado, a maior parte dos crimes foi cometida com uso de armas cortantes ou perfurantes, como facas, canivetes e facões – novamente reforçando o panorama dos crimes atuais.
Sete feminicídios foram registrados em MT somente neste ano. – Foto: Reprodução
Outro ponto que chama atenção é a proximidade que as vítimas possuíam com seus agressores ou assassinos. No caso da morte de Estefane Pereira Soares, de 17 anos, a proximidade atinge um grau ainda maior de parentesco: o suspeito de estupro e assassinato era o próprio irmão dela, Marcos Pereira Soares, de 23 anos – que está preso.
O caso da morte de Stefane teve grande repercussão nessa quinta-feira, não apenas pelo nível de violência, mas também pelo fato de que o suspeito do crime havia deixado a prisão há menos de uma semana, após um possível erro no cadastro de processos judiciais em nome dele.
A inconsistência foi apontada em um pedido de verificação encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pelo juiz Geraldo Fernandes Fidélis Neto, da Vara de Execuções Penais da capital.
Marcos foi preso nessa quarta-feira (11) e deve responder pelo estupro e assassinato da irmã, de 17 anos. – Foto: Reprodução
Feminicídio é crime
Com a sanção da Lei nº 14.994/2024, o feminicídio passou a ser considerado crime autônomo no Código Penal, com pena de até 40 anos de prisão. Desde então, os processos já têm sido denunciados com base no novo artigo (121-A), o que reforça a tipificação específica para esse tipo de violência.
O crime é caracterizado como o assassinato de uma mulher motivado por violência doméstica, familiar ou por discriminação de gênero, conforme prevê a legislação brasileira. Em geral, os crimes estão associados a relações íntimas, histórico de agressões e contextos de controle ou posse sobre a vítima.