Os irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde foram condenados a 63 anos de prisão pelo assassinato de Raquel Cattani, filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL). O Tribunal do Júri da dupla começou na manhã dessa quinta-feira (22), em Nova Mutum (a 264 km de Cuiabá) e terminou na madrugada desta sexta-feira (23), por volta da 1h. A dupla pegou a pena máxima prevista em lei.
O julgamento durou 16 horas. O Conselho de Sentença, composto por sete jurados, decidiu pela condenação dos réus. Romero, ex-marido de Raquel, foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado, por feminicídio. Já Rodrigo foi condenado à pena de 33 anos, 3 meses e 20 dias de reclusão, em regime fechado, pelos crimes de feminicídio e furto.
Ambos obtiveram a condenação máxima permitida pela legislação brasileira pelo feminicídio. Como o crime foi antes do pacote Antifeminicídio, da suplente de Margareth Buzetti (PP), eles não foram condenados pela nova lei – que impõe pena mais dura que chega a 40 anos.

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL), no Tribunal Júri
O deputado estadual Gilberto Cattani, pai da vítima, externou o sentimento após a leitura da sentença. Para ele fica a sensação de que agora os autores pagarão “um pouco pelo que fizeram”.
“O que mais nos conforta não é ver eles nessa posição, mas sim ver a ação da Justiça sendo efetivada como foi aqui, desde a senhora juíza, assim como todos os demais membros que participaram, que foram espetaculares em suas funções”, disse Cattani.
O crime
Montagem/Reprodução

Raquel Cattani foi morta a facadas em 19 de julho de 2024, em sua propriedade rural, no assentamento Pontal do Marape, em Nova Mutum. Os golpes atingiram o pescoço e o abdômen da vítima.
Inicialmente, Romero – ex-marido de Raquel – negou a autoria no crime e chegou a prestar esclarecimentos à Polícia Civil, sendo liberado posteriormente. Entretanto, ele e Rodrigo foram presos na noite do dia 24 de julho, sendo que Romero estava na casa do ex-sogro e o irmão na casa dele, em Lucas do Rio Verde.
De acordo com a Polícia Civil, em uma suposta tentativa de ludibriar as investigações, Romero, apontado como mandante do crime, criou álibis como o almoço com os ex-sogros, churrasco com pessoas com as quais não tinha convivência estreita e ida a boates na cidade de Tapurah, entre a tarde e a noite de execução do crime, com a intenção de reforçar que não seria considerado o principal suspeito do homicídio.
Porém, no decorrer das diligências, as equipes policiais foram reunindo evidências que possibilitaram chegar aos dois envolvidos, o ex-marido e seu irmão, apontado como executor do crime, que teria montado a cena na residência de Raquel para que a Polícia Civil acreditasse que o crime teria sido um latrocínio.
Rodrigo Xavier teria recebido R$ 4 mil do irmão, para cometer o crime. Ainda conforme a investigação, no dia do crime Rodrigo teria chegado na casa de Raquel, se escondido dentro do quarto, esperado a vítima chegar e a atacado com golpes de faca.
“A dinâmica identificada, justamente pelo interrogatório do Rodrigo, é que ele permaneceu no local ainda durante o dia e, até o entardecer ficou ali. Arrombou a janela do quarto das crianças, entrou e ficou no local aguardando a vítima chegar. Após a vítima chegar, ele a surpreendeu e passou a golpear em diversas regiões”, afirmou o delegado Edmundo Félix de Barros Filho, da Delegacia Municipal de Nova Mutum.
Segundo a Polícia, Romero estava há 30 dias separado de Raquel e não aceitava o fim do relacionamento, de modo que orquestrou o crime junto de seu irmão.