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07/01/2026 - 09:46

Prefeitura de Cáceres paga quase dois pelo preço de um: arroz R$ 27,70 no contrato e R$ 13,89 na prateleira

Aditivo publicado amplia compra em 25% e mantém preço unitário que supera prateleiras locais e referência do Radar do TCE

Por FOLHA 5

FOLHA 5

 (Crédito: FOLHA 5)
No penúltimo dia do ano, a Prefeitura de Cáceres publicou no Diário Oficial um termo aditivo que reajusta um contrato administrativo da Secretaria Municipal de Educação para compra de itens básicos, incluindo pacotes de 2 kg de açúcar e pacotes de 5 kg de arroz. O aditivo saiu em 30 de dezembro e, na prática, reforça uma conta que chama atenção porque dá a impressão de que o município está comprando um arroz pelo preço de dois.

O contrato registra o pacote de arroz de 5 kg pelo valor de R$ 27,70. A reportagem do F5 foi às prateleiras e encontrou o mesmo tipo de produto no varejo local custando entre R$ 13,89 e R$ 16,52, em três estabelecimentos de Cáceres, Giro 12 Horas, Capixaba e Todo Dia. Quando a comparação é feita com o menor preço encontrado, de R$ 13,89, a diferença chega a 99,42%, praticamente o dobro.

O valor aparece no 1º Termo Aditivo de reajuste de valor de 25% ao Contrato Administrativo nº 008 2025 PGM, firmado pela Secretaria Municipal de Educação com uma empresa para aquisição de alimentos estocáveis e perecíveis. O documento registra acréscimo de 25% no quantitativo de itens do contrato, dentro do limite previsto na Lei 14.133 de 2021, totalizando acréscimo de R$ 112.792,00 nos itens 2 e 35.

No caso do arroz, descrito como arroz agulhinha, tipo 1, longo, acondicionado em embalagem de 5 kg, marca Amélia, a tabela do aditivo aponta quantitativo contratual de 15.180 pacotes e acréscimo de 3.795 pacotes, exatamente os 25% autorizados. Mantido o valor unitário de R$ 27,70, o acréscimo desse item soma R$ 105.121,50.

Na ponta do lápis, a diferença é pesada. Se o município pagasse pelo valor mínimo encontrado no comércio local, de R$ 13,89, cada pacote custaria R$ 13,81 a menos do que o preço do contrato. Só no volume acrescentado pelo aditivo, 3.795 pacotes, a diferença potencial chega a R$ 52.413,45, dinheiro suficiente para comprar praticamente outro lote inteiro no preço de prateleira. É por isso que a comparação de bastidor faz sentido, parece que a Prefeitura compra um arroz pelo preço de dois.

Além das prateleiras, o F5 também consultou o Banco de Preços, o Radar de Preços do TCE MT. Nesse sistema, o item aparece como referência de R$ 17,00 para pacote de 5 kg em termo de referência de cesta básica. Na comparação com essa referência, o valor unitário de R$ 27,70 registrado no contrato fica 62,94% acima.

Outro Lado

A reportagem do F5 procurou a prefeita Eliene Liberato (PSB) para saber sobre o 1º Termo Aditivo de 25% ao contrato da Educação, publicado em 30 de dezembro, que mantém o arroz de 5 kg a R$ 27,70. Nossa redação questionou a diferença para os preços encontrados em Cáceres, entre R$ 13,89 e R$ 16,52 e pediu explicação técnica detalhada do valor, além da pesquisa de preços que embasou o contrato, com datas, estabelecimentos consultados e assinaturas.

O F5 também cobrou por que o município pagou acima da referência de R$ 17,00 localizada no Radar de Preços do TCE MT, pediu acesso às cotações e ao relatório de vantajosidade, e perguntou quem responde formalmente pela validação do preço e se haverá revisão, repactuação ou auditoria. Até o fechamento da matéria, a prefeita não respondeu aos questionamentos e não enviou os documentos solicitados. O espaço segue aberto.

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2 comentários

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  • por Lobó do pântano , em 07.01.2026 às 16:42

    " O que sabemos é apenas uma gota, o que não sabemos é um oceano" kkkkkkkkkkk

  • por O povo, em 07.01.2026 às 12:40

    Se isso for verdade e um absurdo pagar o dobro na comprar de um pacote de 5kg do arroz neste preço o arroz tinha vim já pronto para consumir só assim iria economizar no óleo sal cebola e alho

 
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