Ah, Cáceres... A cidade onde cada buraco, cada paralelepípedo solto tem uma história. Depois de anos de reclamações, protestos e promessas, eis que surge a grande solução: o remendo. Não é recapeamento, não é revitalização, é... um tapa mal dado. Parece que a prefeitura, num momento de inspiração vinda diretamente do desespero, decidiu que o melhor a se fazer era jogar qualquer coisa por cima e torcer para dar certo. Não deu. Agora, além dos blocos assassinos, temos calombos assassinos. E seguimos, saltitantes, de decepção em decepção. Não há suspensão que aguenta.
Durante muito tempo, as ruas de paralelepípedo de Cáceres ficaram lá, firmes (mentira), fortes (outra mentira) e esquecidas (essa sim, verdade verdadeira). Mas o abandono, que já era rotina, decidiu inovar e virar desespero oficializado. Os remendos malfeitos deram um novo visual à cidade: uma mistura de “colchas de retalhos” urbano com campo de guerra. É o abandono com diploma, agora patrocinado por decisões sem critério algum. O asfalto chora, o paralelepípedo se vinga e o cidadão... tropeça. Literalmente.
Já dizia a sabedoria popular: “quem espera sempre cansa”. E em Cáceres, cansar virou hábito. A população se vê diante de mais uma maquiagem urbana que não engana nem quem a fez. As ruas, que já foram símbolo de charme histórico, hoje desfilam decadência com orgulho. Será que vamos mesmo aceitar isso como normal?
Vamos continuar achando bonito ganhar uma raspadinha de asfalto e dois paralelepípedos colados com cuspe? A pergunta não quer calar: até quando vamos viver de migalhas e aplaudir o caos como se fosse avanço? Chega de normalizar as coisas.