11/08/2025 - 17:50 | Atualizado em 11/08/2025 - 18:02
Felca denuncia “adultização” e Hytalo Santos perde conta no Instagram; caso gera investigação e debate nacional
Por Redação Jornal Oeste
O influenciador e humorista Felipe Bressanim, conhecido na internet como Felca, publicou um vídeo de quase 50 minutos denunciando a sexualização de crianças e adolescentes em conteúdos produzidos pelo criador digital Hytalo Santos. A repercussão levou à desativação da conta de Hytalo no Instagram e reacendeu discussões sobre a proteção de menores na internet.
No vídeo, publicado no dia 6 de agosto de 2025, Felca apresenta trechos de gravações em que adolescentes aparecem dançando de forma sensual, interagindo com adultos e, em alguns casos, expondo procedimentos estéticos. Um dos exemplos citados é o implante de silicone feito por uma adolescente de 17 anos, cuja recuperação foi registrada e publicada nas redes de Hytalo.
Segundo Felca, o formato adotado pelo influenciador – que reúne crianças e adolescentes, chamados por ele de “crias”, “filhas” ou “genros” – cria um ambiente de exposição inadequada e de estímulo à “adultização precoce”.
Investigações em andamento
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) já investigava Hytalo desde 2024 por suposta violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). As apurações abrangem possíveis casos de exploração sexual de menores e exposição indevida de imagens.
A promotora Liana Moura, responsável pelo caso, confirmou que a denúncia de Felca será incorporada ao inquérito em andamento. “Há indícios de que os conteúdos possam ter caráter sexual e serem direcionados a um público adulto, o que exige apuração rigorosa”, afirmou.
Repercussões nas redes e medidas adotadas
Após a publicação do vídeo, a conta oficial de Hytalo no Instagram foi desativada. Perfis de alguns adolescentes ligados ao influenciador também foram removidos, entre eles o da jovem conhecida como “Kamylinha”, citada na denúncia.
O Instagram não divulgou detalhes sobre o motivo da remoção, mas especialistas apontam que a medida está alinhada às políticas da plataforma contra a exploração infantil.
Felca afirmou que abriu mão de monetizar o vídeo para evitar lucros com o conteúdo denunciado e para reforçar o caráter de alerta. “Não se trata de polêmica ou disputa, mas de proteger crianças e adolescentes”, disse.
Debate no Congresso
O caso gerou reação imediata no meio político. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que projetos sobre a proteção de menores na internet devem ser pautados ainda este mês.
A ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos Cristiane Britto propôs a criação da chamada “Lei Felca”, que pretende estabelecer penalidades mais severas para quem produzir, divulgar ou monetizar conteúdos que sexualizem menores de idade.
Segurança reforçada
Desde a repercussão, Felca relatou que passou a circular com segurança particular e veículo blindado devido a ameaças recebidas. “Sabia que haveria consequências, mas não imaginava a intensidade da reação”, declarou.
Próximos passos
As investigações do MPPB seguem em sigilo. Caso sejam comprovadas violações, Hytalo Santos poderá responder por crimes previstos no ECA, incluindo exploração sexual de vulnerável e exposição indevida de imagem de menores.
O episódio também reforçou o debate sobre o papel das redes sociais no monitoramento de conteúdos e sobre a necessidade de regulamentação mais rígida para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.