Em um movimento contundente contra o regime de Nicolás Maduro, o governo dos Estados Unidos anunciou, em 10 de janeiro de 2025, a elevação da recompensa por informações que levem à prisão ou condenação do presidente venezuelano para
US$ 25 milhões. A medida, anunciada no mesmo dia em que Maduro tomou posse para um terceiro mandato amplamente contestado por organismos internacionais, reforça a postura norte-americana de não reconhecer a legitimidade do pleito conduzido na Venezuela.
A recompensa faz parte do programa oficial
Narcotics Rewards Program, gerido pelo Departamento de Estado norte-americano, que busca cooperação internacional para capturar líderes envolvidos com tráfico de drogas e crimes transnacionais. Nicolás Maduro é acusado pelos EUA de envolvimento com o chamado "Cartel de Los Soles", organização que teria usado a estrutura do Estado venezuelano para tráfico de entorpecentes e enriquecimento ilícito.
Além de Maduro, os EUA também anunciaram
recompensas de US$ 25 milhões para
Diosdado Cabello, considerado um dos homens mais poderosos do chavismo, e
US$ 15 milhões para
Vladimir Padrino López, ministro da Defesa da Venezuela.
“As eleições na Venezuela não foram livres, justas ou democráticas. Continuaremos usando todas as ferramentas diplomáticas e legais para responsabilizar os envolvidos pela degradação institucional do país”, declarou o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.
A iniciativa norte-americana é acompanhada por novas
sanções econômicas contra oito altos funcionários venezuelanos, além de empresas estatais como a PDVSA (Petróleos de Venezuela S.A.) e a companhia aérea Conviasa. O pacote de sanções é coordenado com parceiros internacionais como
Canadá, Reino Unido e União Europeia, que também declararam não reconhecer o novo mandato de Maduro.
A
Organização dos Estados Americanos (OEA) e diversos organismos de direitos humanos alertaram para o agravamento da crise humanitária na Venezuela e pedem novas eleições sob supervisão internacional independente.
Em resposta, o governo venezuelano classificou a recompensa como um “ato de desespero” e acusou os Estados Unidos de tentar interferir nos assuntos internos do país. Em pronunciamento, Maduro afirmou que “o povo venezuelano decidiu nas urnas” e que “nenhum dólar de recompensa vai intimidar a soberania bolivariana”.
Entenda o caso
- A primeira recompensa oferecida por Maduro foi em março de 2020, no valor de US$ 15 milhões, após o Departamento de Justiça dos EUA denunciá-lo por narcoterrorismo.
- A nova atualização do valor ocorre em janeiro de 2025, logo após sua posse como presidente para o terceiro mandato.
- O mandato foi considerado ilegítimo por países ocidentais e instituições democráticas.
- Maduro é acusado de violar sistematicamente os direitos humanos e usar o aparato estatal para fins ilícitos.
Repercussões
A medida acirra ainda mais o isolamento diplomático da Venezuela. Economistas e analistas políticos preveem que as novas sanções deverão agravar a já fragilizada economia do país, pressionando ainda mais a população civil, que enfrenta escassez de alimentos, medicamentos e infraestrutura básica.
Por outro lado, a oposição venezuelana busca capitalizar a pressão internacional para mobilizar novas ações populares e reforçar os pedidos por transição democrática e eleições livres.