A gestão da prefeita Eliene Liberato Dias está sob forte pressão. A Controladoria-Geral da União (CGU) iniciou nesta semana uma auditoria minuciosa em um convênio milionário de R$ 13 milhões firmado com a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), destinado a obras de pavimentação e drenagem em 12 bairros de Cáceres.
A fiscalização acontece em meio a um ambiente de desconfiança e denúncias crescentes sobre a má qualidade das obras e possíveis irregularidades nos contratos. E o recado é claro: a CGU veio para conferir, centavo por centavo, o que foi feito com o dinheiro público.
CGU na rua, clima de alerta na Prefeitura
Durante a visita, os auditores federais apresentaram o escopo da fiscalização, que inclui análise de toda a documentação técnica, vistorias in loco nas obras já finalizadas e nas que ainda estão em execução, além de entrevistas com servidores e engenheiros responsáveis.
A equipe da CGU já percorre os bairros com trena, bloco de notas e GPS na mão. Estão coletando amostras de asfalto, analisando boletins de medição e confrontando dados físicos e financeiros. O convênio sob investigação é o de nº 910637/2021, firmado ainda durante a gestão Eliene.
Apesar do discurso de “tranquilidade” da Prefeitura, fontes internas revelam o contrário: servidores estão tensos, técnicos evitam falar com a imprensa e empreiteiros demonstram preocupação com a exposição dos contratos.
CPI das Obras e CGU: duas frentes, um só alvo
A auditoria da CGU foi comunicada em 17 de junho, antes mesmo da instalação da CPI das Obras pela Câmara Municipal, o que reforça a gravidade da situação. Agora, a prefeita enfrenta duas frentes de investigação simultâneas: uma no Legislativo local e outra diretamente do Governo Federal.
A assessora de Projetos e Convênios, Gesica Chaika, tentou demonstrar normalidade:
“Reunimos toda a documentação solicitada de forma antecipada. Nosso compromisso é com a legalidade.”
Mas a população, que já cansou de discursos, quer respostas.
Moradores relatam falhas nas obras
Na ponta, a realidade é outra. Moradores da Cohab Nova, Vila Irene, Jardim Padre Paulo e outros bairros relatam que o asfalto cedeu nas primeiras chuvas. Em alguns trechos, o pavimento mal cobre a terra.
“O asfalto é tão fino que parece casca de ovo. Isso foi pago com milhões?”, questiona dona Laurinda, moradora da Cohab.
Eliene sob cerco
A prefeita declarou que sua gestão “é pautada na legalidade” e que a CGU é “bem-vinda”. Mas a presença dos auditores federais expõe o desgaste político e a fragilidade da gestão, que se defende cada vez mais e executa cada vez menos.
A Controladoria-Geral do Município, liderada por Robson Máximo, também entrou em cena para prestar apoio à CGU. Mas o clima é de contenção de danos — e de expectativa sobre o que a auditoria pode revelar.
O que está em jogo agora não é apenas a continuidade das obras — é a credibilidade de uma administração que prometeu transparência, mas vê o cerco se fechar.
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