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09/07/2025 - 08:20 | Atualizado em 09/07/2025 - 08:23

R$ 270 milhões bloqueados: Fintech comprada por ex-cozinheiro entra no olho do furacão de golpe bilionário no Pix

De chef de cozinha a dono de fintech: o que Stevan Bastos tem a ver com o sumiço de meio bilhão?

Por Redação Jornal Oeste

O Banco Central bateu o martelo: R$ 270 milhões foram bloqueados de uma conta gerida pela fintech Soffy Soluções de Pagamentos, de Atibaia (SP), uma das peças-chave da investigação sobre o roubo de R$ 541 milhões via Pix, considerado um dos maiores da história do sistema financeiro brasileiro.
A bomba veio à tona após um ataque hacker devastar o sistema da empresa C&M Software, responsável por conectar pequenas instituições financeiras ao Pix — o que inclui a Soffy. A fintech, que há apenas dois meses foi comprada por Stevan Paz Bastos, ex-cozinheiro e consultor gastronômico de Mato Grosso do Sul, agora se vê no epicentro de um escândalo de repercussão nacional.
🍽️ Do fogão para o topo da pirâmide digital
Stevan Bastos é formado em gastronomia pelo Senac e, segundo seu perfil no LinkedIn — que tem zero seguidores —, tem formação em contabilidade pela Uniderp. Apesar disso, sua trajetória é marcada por consultorias em restaurantes e atuação como chef em Campo Grande e no Paraguai. Agora, Bastos aparece como dono de uma empresa com R$ 270 milhões bloqueados na conta e sob investigação da Polícia Federal e do BC.
A compra da Soffy, com capital social de R$ 1 milhão, foi feita há apenas dois meses. O valor da aquisição? Um mistério. Transparência? Nenhuma.
 A fintech nega, mas não convence
Em nota oficial, a Soffy tenta lavar as mãos: afirma que os R$ 270 milhões bloqueados pertencem a um “cliente parceiro” não identificado. Segundo a empresa, a Soffy apenas disponibiliza “infraestrutura tecnológica” e que o verdadeiro responsável é o cliente que teria utilizado sua plataforma para movimentar os valores. Mas a pergunta permanece: quem movimenta R$ 270 milhões sem levantar uma única bandeira vermelha?
A empresa diz ainda que bloqueou imediatamente a conta e comunicou as autoridades, colaborando com as investigações. O Banco Central, por sua vez, suspendeu preventivamente as operações da Soffy por 60 dias — medida drástica que demonstra a gravidade da situação.
 O rastro do crime: funcionário da C&M entregou o jogo por R$ 15 mil
A Polícia Civil já tem um preso: João Nazareno Roque, 48 anos, profissional júnior de TI da C&M, que entregou suas credenciais a um grupo de hackers por um valor irrisório frente ao estrago: R$ 15 mil. Com os acessos em mãos, o grupo disparou transferências por Pix na madrugada do dia 30 de junho, entre 4h30 e 7h, causando um rombo de mais de meio bilhão de reais.
A C&M funcionava como uma ponte tecnológica entre o sistema Pix e empresas como a Soffy. Bancos tradicionais não precisam desse tipo de conexão, o que indica que a fragilidade estrutural se concentrou nas intermediárias menores.
 O que está em jogo
O episódio escancara as brechas de segurança do sistema financeiro digital, a falta de fiscalização sobre pequenas fintechs e o risco do “vale tudo” no mundo dos pagamentos instantâneos. Uma empresa com um dono sem experiência no setor, comprada recentemente, agora está ligada a uma movimentação de R$ 270 milhões — e a sociedade ainda não sabe quem são os verdadeiros donos do dinheiro.
Enquanto isso, o Banco Central corre para tentar recuperar os valores e blindar o sistema. Mas a pergunta que não quer calar ecoa nas redes: como uma fintech operada por um ex-chef virou cofre para uma fortuna bilionária?

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