08/07/2025 - 10:07 | Atualizado em 08/07/2025 - 10:23
Sem licitação e com R$ 100 milhões em contratos por adesão: gestão de Flávia Moretti em Várzea Grande levanta preocupações
Prefeita ainda não formalizou denúncias contra antecessores, folha de pagamento aumentou e reformas caras chamam atenção da população
Por Redação Jornal Oeste
Em seus primeiros seis meses à frente da Prefeitura de Várzea Grande, a prefeita Flávia Moretti (PL) optou por um modelo administrativo que tem gerado debate entre especialistas, órgãos de controle e a população: nenhuma licitação própria foi realizada até o momento, enquanto mais de R$ 100 milhões já foram contratados por meio de adesões a atas de preços de outros municípios.
A informação foi confirmada por reportagem publicada no site VG Notícias no último dia 6 de julho, que detalha como a nova gestão tem evitado abrir editais e concorrências públicas, preferindo usar registros de preços de cidades menores, como Nova Nazaré e Itiquira. Embora legal, essa prática deve ser excepcional, segundo a legislação vigente.
“A adesão a atas de registro de preços é válida, mas precisa atender ao interesse público com critérios técnicos. Quando se transforma em rotina e substitui a licitação própria, pode comprometer a economicidade e a transparência”, alerta um auditor do TCE-MT ouvido pela reportagem.
Discurso de caos, mas sem formalização no MP
Desde que assumiu o cargo, Flávia Moretti tem feito declarações públicas sobre dívidas herdadas, contratos superfaturados e um suposto colapso administrativo deixado pela gestão anterior. Contudo, até o momento, nenhuma denúncia foi formalizada junto ao Ministério Público Estadual, o que causa estranheza e fragiliza a narrativa de irregularidades anteriores.
Essa ausência de representação jurídica foi confirmada por fontes do próprio MP consultadas por jornalistas locais.
Reforma de gabinete e aumento da folha geram questionamentos
Outro ponto levantado é a falta de detalhamento sobre os contratos já firmados, especialmente os de maior valor. Um deles, segundo fontes ligadas ao Executivo, refere-se a uma reforma no gabinete da secretária de Saúde, que teria custado aproximadamente R$ 500 mil. Até o momento, a Prefeitura não divulgou nota oficial com detalhes da obra.
Além disso, ao contrário da promessa de enxugar a máquina pública, a atual gestão aumentou os gastos com folha de pagamento, que hoje somam cerca de R$ 50 milhões mensais — valor superior ao praticado pela administração anterior.
Chamado à transparência e controle institucional
Com a ausência de processos licitatórios e os contratos firmados por adesão a atas de cidades menores, cresce a expectativa de uma resposta dos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e o Ministério Público, para que avaliem se os princípios da legalidade, publicidade e eficiência estão sendo respeitados.
Para especialistas em direito público, o ideal seria que a prefeitura divulgasse, de forma clara, todos os contratos já firmados, seus valores, empresas contratadas e objetos dos serviços. A população, por sua vez, cobra explicações sobre o custo elevado de reformas e o impacto do aumento da folha em tempos de dificuldade fiscal.
O que diz a Prefeitura?
A assessoria da prefeita Flávia Moretti ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema, nem apresentou balanço detalhado das contratações por adesão. A ausência de respostas oficiais amplia as críticas e reforça a necessidade de maior diálogo com a população e com a imprensa.
Conclusão
A gestão Flávia Moretti enfrenta um dos principais testes de sua credibilidade: mostrar que é possível governar com responsabilidade fiscal, transparência e respeito à lei, mesmo diante de dificuldades herdadas. O uso excessivo de contratações por adesão e o silêncio diante das denúncias levantadas impõem a necessidade urgente de prestação de contas clara à sociedade várzea-grandense.