24/06/2025 - 09:36 | Atualizado em 24/06/2025 - 09:41
Sobrinho que arrancou o coração da tia deixa hospital psiquiátrico em MT para morar em SP
Após cometer um dos crimes mais brutais da história de Mato Grosso, Lumar Costa da Silva, que matou a tia e entregou seu coração à própria filha da vítima, foi liberado para tratamento ambulatorial. A filha de Maria Zélia rompeu o silêncio e revelou
“Acabou nossa paz”: filha relata medo após liberação de homem que arrancou o coração da tia em Sorriso Após quase seis anos de internação no Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, em Cuiabá, o homem que protagonizou um dos crimes mais brutais da história de Mato Grosso foi liberado para tratamento ambulatorial. Lumar Costa da Silva, 34 anos, matou a tia, Maria Zélia da Silva Cosmo, arrancou seu coração e o entregou à própria filha da vítima, em julho de 2019, na cidade de Sorriso (MT). O caso chocou o país e voltou à tona nesta semana, após decisão do juiz Geraldo Fidelis, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, que autorizou a saída de Lumar da unidade psiquiátrica para cumprimento de medida de segurança em regime ambulatorial intensivo, com acompanhamento em Campinápolis (SP), onde reside o pai do agressor, que também atuará como seu curador. “Tenho medo”: o grito silencioso da filha A filha de Maria Zélia, Patrícia Cosmo, rompeu o silêncio e declarou em entrevista ao Jornal da Capital FM: “Acabou nossa paz. Tenho medo.” Em tom emocionado, ela relatou o impacto psicológico da notícia, afirmando que reviveu o trauma e teme que o agressor volte a representar uma ameaça. “Revivi tudo de novo. É como se minha mãe tivesse morrido ontem. Não existe justiça para quem tem que conviver com o medo todos os dias.” Laudos médicos e decisão judicial Segundo a decisão judicial, Lumar apresentou quadro estável de saúde mental, o que permite seu tratamento fora do ambiente hospitalar. Ele terá acompanhamento multiprofissional e deverá apresentar relatórios periódicos à Justiça, sob responsabilidade do pai. O juiz destacou que, apesar da gravidade do crime, o sistema jurídico brasileiro prevê medidas de segurança substitutivas, em consonância com laudos técnicos e garantias legais do Código Penal. Um crime que não sai da memória Em 2019, sob efeito de drogas e alegando ouvir vozes, Lumar atacou a própria tia com uma faca, arrancou o coração da vítima e o colocou em uma sacola plástica, entregando à filha da mulher. Segundo ele, a tia era “uma bruxa que sugava sua energia”. O crime foi classificado pela polícia como um ato de extrema brutalidade, com requintes de sadismo e transtorno mental evidente. O delegado André Ribeiro afirmou à época que o crime foi “repugnante, cruel e perturbador”. Medo, dor e uma cicatriz aberta Para a família Cosmo, a liberdade de Lumar, mesmo sob medida de segurança, representa uma afronta à memória de Maria Zélia e à integridade de seus familiares. “É uma ferida que nunca vai cicatrizar. A única coisa que pedimos é paz. E isso nos foi tirado de novo”, declarou Patrícia.