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05/06/2025 - 21:29 | Atualizado em 10/06/2025 - 22:43

Produtores de Mato Grosso têm R$ 120 milhões travados por desmatamento: o prejuízo veio antes do plantio

BNDES barra crédito rural de produtores com terra ligada ao desmatamento ilegal; MT é o segundo estado mais atingido no país

Por RD News

Observa - MT

 (Crédito: Observa - MT)
No Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06), um dado preocupante veio à tona: produtores rurais de Mato Grosso deixaram de acessar mais de R$ 120,5 milhões em crédito do BNDES desde fevereiro de 2023. O motivo? Áreas com indícios de desmatamento ilegal. A informação foi divulgada nesta quinta-feira pelo próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O estado, conhecido pela forte atuação no agronegócio, ficou em segundo lugar no Brasil em volume de crédito travado, perdendo apenas para o Paraná. Em percentual de financiamento bloqueado, Mato Grosso ocupa a 14ª posição, com 0,9% dos R$ 13,8 bilhões pedidos barrados por irregularidades ambientais.

A decisão faz parte de uma política mais rígida do BNDES, que agora usa a plataforma MapBiomas, com imagens de satélite de alta resolução, para identificar áreas com desmatamento recente. A tecnologia cruza os dados com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), e qualquer indício de irregularidade pode levar ao bloqueio do financiamento — mesmo que o embargo não seja diretamente na área que receberia o dinheiro.

A medida tem impacto direto em pequenos e médios produtores, que muitas vezes dependem desse crédito para manter suas atividades. Muitos alegam que estão sendo punidos por problemas técnicos ou erros antigos no CAR, sem sequer terem direito a defesa imediata.

Segundo as regras do BNDES, se o produtor tiver qualquer área com embargo do Ibama, mesmo fora da propriedade que receberia o financiamento, o crédito é negado — a não ser que ele prove que tomou medidas efetivas de regularização. Essa exigência é mais dura que a do Banco Central, que barra crédito apenas se o embargo for exatamente na propriedade beneficiada.

Enquanto isso, trabalhadores do campo — especialmente os pequenos — enfrentam burocracias, travas digitais e a dificuldade de provar a regularidade ambiental, mesmo quando tentam seguir a lei.

O discurso oficial é o de promover o desenvolvimento sustentável, mas, na prática, muitos agricultores ficam sem saída: sem crédito, sem produção, e com dívidas que só aumentam. Para muitos, o “desenvolvimento sustentável” virou sinônimo de porta fechada no banco.

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