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04/06/2025 - 22:54
Crianças que convivem com animais têm menos alergias e doenças
Estudo revela que contato com animais desde cedo fortalece o sistema imunológico e reduz riscos de doenças como asma e alergias
Por David Cox
Os Amish, um povo que vive de forma simples e sem muita tecnologia desde o século 18, chamaram a atenção do mundo médico por um motivo surpreendente: eles quase não têm doenças como asma, alergias e problemas de pele, muito comuns hoje em dia.
Enquanto a maioria das pessoas vive cercada de produtos químicos e ambientes cada vez mais "limpos", os Amish continuam criando animais, usando carroças puxadas por cavalos e trabalhando na terra, como faziam seus antepassados.
Pesquisadores queriam entender por que essas crianças Amish são tão saudáveis. Eles compararam a saúde de 30 crianças Amish com a de 30 crianças de uma comunidade parecida, chamada Huteritas, nos Estados Unidos. As duas comunidades são de origem europeia, vivem no campo, comem alimentos naturais e não enfrentam poluição. Mas há uma diferença: os Huteritas usam máquinas nas fazendas e moram longe dos animais; já os Amish vivem no meio dos bichos.
E foi aí que a ciência descobriu algo incrível: a convivência diária com animais, e com os micróbios naturais que eles carregam, protege as crianças Amish de doenças alérgicas.
“Se você olhar fotos aéreas, vai ver: os Amish vivem colados aos animais, enquanto os Huteritas moram longe deles”, explicou o professor Fergus Shanahan, da Irlanda.
Um estudo famoso, feito por cientistas dos EUA e da Alemanha em 2016, mostrou que as crianças Amish têm um sistema imunológico mais equilibrado. Elas desenvolvem melhor as células de defesa que evitam reações exageradas, como as crises de alergia.
Quando os pesquisadores analisaram a poeira das casas das crianças, descobriram que os lares Amish estão cheios de microrganismos vindos dos animais — e isso faz bem!
E não para por aí: outros estudos em diferentes lugares do mundo, como nas fazendas dos Alpes, mostraram o mesmo. Crianças que crescem perto de vacas, cavalos ou até mesmo cachorros têm menos chances de desenvolver asma, rinite e outros problemas respiratórios.
O professor Jack Gilbert, dos Estados Unidos, confirma: “Se você crescer com animais de fazenda, tem 50% menos chance de ter asma ou alergia. E até quem só tem um cachorro em casa já reduz o risco em até 14%”.
Por isso, muita gente começou a ver os pets — como cães e gatos — como verdadeiros “probióticos naturais”, ou seja, aliados da saúde.
Os cientistas dizem que o contato com os micróbios dos bichos ativa o nosso sistema imunológico, ajudando-o a ficar forte e a evitar doenças. É como se o corpo aprendesse a se defender melhor.
Além disso, ter animais em casa ou conviver com eles estimula atividades físicas, como passeios ao ar livre, que também fazem bem para a saúde.
Outro exemplo vem dos Irish Travellers, um grupo nômade da Irlanda que vive cercado de animais. Estudos mostraram que o microbioma intestinal — ou seja, os micróbios que vivem no intestino deles — é parecido com o de povos antigos, como os caçadores-coletores da África ou cavaleiros da Mongólia.
Esses povos também têm menos doenças autoimunes, como esclerose múltipla ou lúpus. O professor Shanahan diz: “Eles mantêm um microbioma ancestral. É muito mais saudável nesse aspecto”.
Mas ele alerta: isso não quer dizer que a saúde deles é perfeita. Eles sofrem com problemas causados pela pobreza e pela exclusão social.
Agora, a ciência quer descobrir como trazer esses benefícios para quem vive nas cidades. Pesquisadores testam, por exemplo, se adotar um cachorro pode melhorar a saúde de idosos, ou se deixar crianças sem pets acariciarem cavalos pode fortalecer a imunidade delas.
“Se você for exposto a mais tipos de bactérias, vai estimular seu sistema imunológico de formas variadas, o que ajuda a manter o equilíbrio”, diz Gilbert.
Ou seja, o contato com animais pode ser um remédio natural contra várias doenças.