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16/05/2025 - 21:26

Bebê é curado com edição genética inédita e abre caminho para nova era da medicina

Kyle, de dois anos, recebeu tratamento pioneiro nos EUA que “reescreveu” seu DNA para corrigir uma mutação fatal

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 (Crédito: Reprodução)
Um marco na história da medicina foi registrado com o caso de Kyle, um bebê norte-americano de dois anos diagnosticado com uma condição genética raríssima e potencialmente fatal, que foi curado por meio de uma terapia de edição genética. É o primeiro tratamento do tipo bem-sucedido em humanos, e pode abrir caminho para uma nova geração de terapias personalizadas.

Kyle nasceu aparentemente saudável, mas aos dois dias de vida começou a apresentar sinais preocupantes: letargia, dificuldades para se alimentar e manter a temperatura corporal. Uma semana depois, veio o diagnóstico: deficiência de CPS1, uma mutação genética extremamente rara, que afeta apenas 1 a cada 1,3 milhão de nascimentos. A condição impede o metabolismo adequado de proteínas e, sem tratamento, leva a atrasos graves no desenvolvimento e necessidade de transplante de fígado.

Diante do prognóstico, os pais de Kyle aceitaram integrá-lo a um estudo experimental conduzido no Hospital Infantil da Filadélfia (CHOP), nos Estados Unidos. A proposta: utilizar edição de base, uma tecnologia de edição genética de altíssima precisão, capaz de substituir uma única letra no DNA — no caso de Kyle, o erro que causava sua condição.

Um tratamento sob medida

A equipe médica desenvolveu um medicamento personalizado para o caso, especificamente desenhado para corrigir a mutação única no gene de Kyle. A substância é administrada por via intravenosa em infusões de cerca de duas horas, e até o momento, o menino recebeu três aplicações.

Antes da terapia, Kyle não podia consumir nenhuma proteína, sob risco de grave intoxicação. Hoje, ele já tolera proteínas e apresenta avanços notáveis em seu desenvolvimento. Os médicos descrevem o resultado como uma reversão da condição genética.

Embora ainda não se saiba se Kyle precisará de doses futuras ao longo da vida, os resultados iniciais são animadores. A quantidade de medicamento administrado tem sido reduzida a cada nova aplicação, o que indica estabilidade no quadro.

Futuro promissor

Segundo os pesquisadores, a técnica foi aplicada com sucesso no fígado porque esse órgão facilita a entrega das instruções genéticas modificadas. No entanto, o objetivo é expandir a aplicação para tratar outras doenças raras, como distrofias musculares e condições neurológicas.

Kiran Musunuru, professor da Universidade da Pensilvânia e um dos líderes da pesquisa, acredita que esse é apenas o começo.

“Minha esperança é que, um dia, nenhum paciente com doenças raras morra por causa de ‘erros de ortografia’ no DNA, porque poderemos corrigi-los”, declarou o especialista.

O caso de Kyle representa esperança concreta para milhões de pessoas que vivem com doenças genéticas raras e, até então, incuráveis.

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