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08/05/2025 - 21:30 | Atualizado em 09/05/2025 - 23:25
Cápsula soviética lançada em 1972 deve reentrar na Terra esta semana após mais de 50 anos em órbita
Parte da sonda Kosmos 482, projetada para resistir às condições extremas de Vênus, pode sobreviver à reentrada na atmosfera terrestre
Por Maddie Molloy
Reprodução
Um fragmento da nave soviética Kosmos 482, lançada em 1972 em uma missão fracassada para Vênus, deve reentrar na atmosfera da Terra por volta do dia 10 de maio, após passar mais de cinco décadas em órbita.
Segundo a NASA, a sonda nunca deixou a órbita baixa da Terra e acabou se separando em quatro partes. Uma delas, que se acredita ser a cápsula de pouso, é monitorada por agências espaciais internacionais por seu potencial de resistir à reentrada.
Com aproximadamente um metro de diâmetro e pesando cerca de meia tonelada, o objeto foi projetado para suportar o calor e a pressão extremos do planeta Vênus, o que o torna especialmente resistente. Seu sistema de paraquedas, no entanto, está provavelmente inoperante após mais de 50 anos no espaço.
A localização exata da queda permanece desconhecida. A cápsula pode pousar em qualquer ponto entre as latitudes 51,7° norte e sul — faixa que abrange a maior parte das regiões habitadas do planeta. Apesar disso, especialistas afirmam que o risco de impacto em áreas povoadas é extremamente baixo, já que cerca de 70% da Terra é coberta por oceanos.
“É muito mais fácil ganhar na loteria do que ser atingido por esse pedaço de lixo espacial”, comparou Stijn Lemmens, analista da Agência Espacial Europeia (ESA). Ele destacou que reentradas de objetos artificiais na atmosfera são comuns e, na maioria dos casos, os detritos se desintegram antes de alcançar o solo.
Casos anteriores, como o do foguete Longa Marcha 5B, da China, que caiu no Oceano Índico em 2022, e da estação Tiangong-1, que se desintegrou sobre o Pacífico em 2018, ilustram a recorrência desses eventos.
Lemmens também reforça que, no futuro, espaçonaves devem ser projetadas para permitir reentradas seguras e previsíveis, minimizando riscos à população e ao meio ambiente.