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06/05/2025 - 21:43 | Atualizado em 09/05/2025 - 23:28

Estudo revela que ter um pet pode ter impacto emocional comparável a receber R$ 530 mil por ano

Pesquisadores avaliam o valor subjetivo de ter um animal de estimação e revelam benefícios para a satisfação com a vida

Um estudo publicado na revista científica Social Indicators Research sugere que ter um animal de estimação pode ter um impacto tão positivo na satisfação com a vida que seu valor emocional é comparável a receber cerca de R$ 530 mil (£70 mil) por ano. A pesquisa foi conduzida pelos economistas Michael Gmeiner, da London School of Economics, e Adelina Gschwandtner, da University of Kent.

Utilizando um modelo matemático para estimar valores sociais, os pesquisadores destacaram que a convivência com pets pode ter efeitos emocionais profundos, semelhantes aos de manter relações sociais próximas com amigos e familiares — e até mais significativos do que promoções no trabalho ou aumento de renda.

Isolando a causalidade

O estudo é inovador por isolar a causalidade, ou seja, em vez de apenas observar se pessoas felizes têm animais, os cientistas se concentraram em verificar se ter um pet realmente torna alguém mais feliz. Para isso, escolheram um grupo de pessoas que cuidavam de animais de estimação de vizinhos enquanto estes viajavam. Essa experiência foi usada como um gatilho externo para avaliar se ela poderia influenciar a adoção de animais pelos participantes.

Os resultados

Os dados, extraídos de uma pesquisa longitudinal com mais de 2,6 mil participantes, indicam que donos de cães demonstraram um aumento de 2,9 pontos na escala de satisfação com a vida (de 1 a 7), enquanto donos de gatos apresentaram um aumento de 3,7 pontos.

A abordagem matemática

Os pesquisadores usaram uma técnica da economia do bem-estar, chamada "abordagem da satisfação com a vida", para calcular o valor emocional de ter um pet. Este método permite comparar o impacto de diferentes fatores, como renda, casamento ou até o barulho de aviões, na satisfação com a vida.

Por exemplo, o estudo reforçou achados anteriores de que casar-se tem um efeito positivo equivalente a um aumento de £70 mil por ano no bem-estar subjetivo, enquanto separar-se é associado a uma perda emocional de –£170 mil por ano.

Pets como substitutos afetivos

Outro achado interessante foi o impacto maior dos pets em pessoas não casadas, sugerindo que animais de estimação podem atuar como substitutos afetivos em determinadas situações. Os pesquisadores não veem isso como uma forma de dependência emocional, mas como uma maneira de estabelecer vínculos significativos.

Cães x Gatos: diferenças de perfil

A pesquisa também confirmou achados anteriores sobre as personalidades de donos de cães e gatos. Donos de cães tendem a ser mais extrovertidos e sociáveis, enquanto donos de gatos são geralmente mais abertos e conscienciosos, mas também podem ser mais neuróticos.

Impacto nas políticas públicas de saúde mental

Os resultados podem servir de base para políticas públicas de saúde mental, como incentivar adoções responsáveis como uma ferramenta para promover o bem-estar emocional. Para os pesquisadores, os pets têm valor comparável a relações humanas, e devem ser considerados nas estratégias de promoção da saúde mental.

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