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06/05/2025 - 21:21 | Atualizado em 06/05/2025 - 22:30
Brasil sobe no ranking de desenvolvimento humano da ONU, que destaca papel da inteligência artificial no progresso global
Relatório do PNUD aponta avanços do Brasil no IDH e alerta que o futuro da IA dependerá de escolhas políticas e cooperação internacional
Por Aline Gouveia
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgou nesta terça-feira (6/5) o novo ranking mundial de desenvolvimento humano com base em dados de 2023. A publicação, intitulada Uma questão de escolha: pessoas e possibilidades na era da Inteligência Artificial, analisa o impacto da IA nas sociedades e reforça a importância de políticas públicas voltadas para o uso ético e inclusivo da tecnologia.
Segundo o relatório, o Brasil avançou cinco posições no ranking e ocupa agora a 84ª colocação entre 193 países, com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0.786. O IDH varia de 0 a 1 e considera três pilares principais: renda, educação e saúde. Em 2022, o Brasil ocupava o 89º lugar.
No topo da lista estão Islândia (0.972), Noruega (0.970) e Suíça (0.970), enquanto Sudão do Sul (0.388), Somália (0.404) e República Centro-Africana (0.414) figuram entre os últimos colocados.
Além dos números, o PNUD enfatiza os dilemas éticos e sociais envolvidos na ascensão da inteligência artificial. “Estamos em uma encruzilhada: embora a IA prometa redefinir nosso futuro, ela também corre o risco de aprofundar as divisões de um mundo já desequilibrado”, afirma o relatório.
Achim Steiner, administrador do PNUD, destacou a necessidade de cooperação global para evitar que a tecnologia aumente as desigualdades: “Nossa capacidade de explorar no sentido positivo essa nova fronteira, mas também de nos proteger, exige, por definição, cooperação internacional, inclusive por parte de países mais ricos, ajudando os países mais pobres a se integrarem à nova economia”.
Percepções sobre a IA e oportunidades futuras
A pesquisa do PNUD mostra que seis em cada dez pessoas entrevistadas esperam impactos positivos da IA no mercado de trabalho. Apenas 13% temem que a tecnologia possa causar perdas de emprego. Em países com IDH baixo ou médio, a expectativa é ainda mais otimista: 70% acreditam que a IA aumentará a produtividade, e dois terços preveem seu uso em áreas como saúde, educação e trabalho já no próximo ano. Além disso, 20% dos entrevistados afirmam já utilizar IA em seu cotidiano.
Pedro Conceição, diretor do Relatório de Desenvolvimento Humano, acredita que com políticas adequadas, a IA pode funcionar como uma ponte para ampliar o acesso ao conhecimento e às oportunidades. “As escolhas que fizermos nos próximos anos definirão o legado dessa transição tecnológica para o desenvolvimento humano”, afirma.
O estudo sugere que, se bem direcionada, a inteligência artificial poderá empoderar desde agricultores e pequenos empreendedores até comunidades inteiras, especialmente em países em desenvolvimento.