Notícias / Saúde
01/05/2025 - 22:35
Apneia do sono afeta crianças e pode prejudicar crescimento e desempenho escolar, alerta especialista
Em entrevista ao CB Saúde, ortodontista Jorge Faber explica como o distúrbio compromete o desenvolvimento infantil e detalha terapias eficazes para o tratamento.
Por Letícia Mouhamad
Correio Braziliense
Nesta quinta-feira (1), o programa CB Saúde — uma parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — recebeu o ortodontista clínico, pesquisador e professor da Universidade de Brasília (UnB), Jorge Faber. Especialista em odontologia baseada em evidências e estatística, Faber abordou os impactos da apneia do sono na saúde e na qualidade de vida, especialmente entre crianças, grupo frequentemente afetado e, muitas vezes, negligenciado no diagnóstico.
A apneia do sono é um distúrbio respiratório caracterizado pelo fechamento parcial ou total das vias aéreas durante o sono, o que interrompe ou reduz a respiração por alguns segundos. O sintoma mais comum é o ronco, mas os efeitos vão além do incômodo sonoro.
“Dependendo da população, de 1% a 5% das crianças têm apneia, com consequências graves. O distúrbio prejudica o crescimento, visto que o hormônio responsável por essa função é produzido durante o sono”, explicou Faber durante a entrevista. Ele também alertou que a apneia compromete funções cognitivas, afetando diretamente a memória e o desempenho escolar infantil.
Entre os sinais que os pais devem observar estão o ronco constante ou respiração ruidosa durante a noite, enurese noturna (xixi na cama ou necessidade de uso de fraldas além da idade esperada) e sono agitado, com muitos movimentos. Esses indicativos podem apontar para distúrbios que afetam a qualidade do descanso e, consequentemente, o desenvolvimento das crianças.
O tratamento da apneia do sono não se restringe aos adultos e também se mostra eficaz entre os pequenos. Entre as opções terapêuticas, estão o uso do CPAP (dispositivo de pressão positiva contínua), que mantém a via aérea aberta com uma pressão leve de ar, e os aparelhos de avanço mandibular, que reposicionam a mandíbula para aumentar o espaço respiratório.
Faber destacou a importância de uma abordagem multidisciplinar no tratamento, envolvendo profissionais como dentistas, otorrinolaringologistas, fisioterapeutas e psicólogos do sono. “As melhorias começam no primeiro dia de tratamento. E, vale lembrar: a melhora na qualidade do sono interfere na qualidade do dia e da vida da pessoa, visto que uma coisa depende da outra”, afirmou o ortodontista.
A entrevista ressaltou a importância da atenção aos sintomas e da busca por diagnóstico precoce, sobretudo em crianças, para evitar impactos duradouros no desenvolvimento físico, emocional e intelectual.