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29/04/2025 - 21:52 | Atualizado em 27/05/2025 - 23:21

Amazon lança satélites do Projeto Kuiper e entra na disputa por internet global via espaço

Com 27 satélites enviados à órbita, gigante do varejo digital inicia oficialmente sua tentativa de competir com a Starlink; especialistas questionam viabilidade e timing da iniciativa

Por CNN

Joe Skipper

 (Crédito: Joe Skipper)
A Amazon deu um passo decisivo em seu ambicioso plano de oferecer internet via satélite, com o lançamento de 27 instrumentos em órbita terrestre baixa na noite desta segunda-feira (28). O foguete Atlas V, da United Launch Alliance, decolou por volta das 20h (horário de Brasília) a partir da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, marcando o início da fase operacional do Projeto Kuiper.

Essa etapa inicial representa o maior avanço até agora da Amazon na corrida pela conectividade espacial, colocando a empresa em concorrência direta com a Starlink, rede de satélites da SpaceX que já atende mais de 4,6 milhões de clientes em todo o mundo.

O Projeto Kuiper visa criar uma constelação com cerca de 3.200 satélites, oferecendo acesso à internet em regiões remotas ou desassistidas por infraestrutura tradicional. Os satélites da Amazon orbitarão a aproximadamente 450 km da superfície terrestre, uma altitude ligeiramente inferior à dos dispositivos da Starlink, que operam a 550 km. Ambas utilizam a chamada órbita terrestre baixa, que permite conexões mais rápidas em comparação com os satélites geoestacionários, localizados a mais de 35 mil quilômetros de altitude.

Embora a tecnologia envolvida seja promissora, os desafios também são expressivos. Manter milhares de satélites em operação simultânea, viajando a mais de 27.000 km/h e conectados a infraestruturas terrestres e antenas de usuários, exige um grau de complexidade técnica e logística elevado — além de um investimento financeiro bilionário.

Segundo estimativas da empresa de serviços financeiros Raymond James, os custos para montar a rede inicial do Kuiper podem ultrapassar os US$ 17 bilhões (cerca de R$ 96 bilhões). Além disso, o projeto pode demandar entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões por ano para ser mantido em operação.

Essa combinação de custos altos e forte concorrência levanta dúvidas entre analistas de mercado sobre a viabilidade do projeto. Para Craig Moffett, diretor sênior da MoffettNathanson, a Amazon pode ter chegado tarde demais à disputa.

“O Kuiper ainda tem um longo caminho a percorrer para conseguir atender uma parte significativa do mercado”, disse Moffett à CNN. “Parece haver uma probabilidade muito, muito alta de que seja tarde demais para que o projeto venha a se tornar um investimento atraente.”

Outro fator que pesa nessa equação é a consolidação da Starlink, que já atua em diferentes frentes: residências, empresas, aviação, trailers e até astronautas em órbita. A Amazon, por sua vez, ainda precisa expandir sua infraestrutura e conquistar clientes.

Mesmo assim, o Kuiper pode beneficiar outras áreas da empresa, como a Amazon Web Services (AWS) e a logística de entrega, com a possibilidade de fornecer conectividade para sua frota de veículos. Além disso, o cenário geopolítico pode favorecer a Amazon como uma alternativa mais estável à liderança de Elon Musk, frequentemente envolvido em polêmicas internacionais por conta da atuação da Starlink.

“Imagino certamente que a Otan e a Ucrânia estejam, ao menos discretamente, celebrando a ideia de ter alguém que não seja Elon Musk na posição de fornecer essa capacidade”, comentou Moffett.

Ainda que o Kuiper enfrente competição acirrada de outras iniciativas, como a britânica OneWeb, a Amazon acredita no potencial de sua empreitada. O vice-presidente do projeto, Rajeev Badyal, destacou o significado do lançamento:

“Esta será a primeira vez que lançamos o design final do nosso satélite e a primeira vez que implantamos tantos satélites de uma só vez”, afirmou.

“Não importa como a missão se desenrole, este é apenas o começo da nossa jornada, e temos todas as peças no lugar para aprender e nos adaptar enquanto nos preparamos para lançar repetidamente ao longo dos próximos anos”, concluiu.

Segundo a própria Amazon, os primeiros testes com clientes devem começar ainda este ano. Mas para alcançar o sucesso, a empresa terá de provar que pode escalar sua operação de maneira eficiente, competitiva e sustentável — em um mercado onde a SpaceX já larga com ampla vantagem.

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