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23/04/2025 - 20:24
Controle da hipertensão pode reduzir risco de demência, aponta estudo
Pesquisa mostra que tratamento adequado da pressão alta diminui em até 16% o risco de comprometimento cognitivo
Por Bianca Lucca
A hipertensão, conhecida popularmente como pressão alta, é amplamente associada a doenças cardiovasculares. No entanto, estudos recentes apontam que os efeitos dessa condição vão além do coração, alcançando também o cérebro. De acordo com uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (21/4) na revista científica Nature Medicine, o tratamento adequado da hipertensão pode reduzir de forma significativa os riscos de demência e comprometimento cognitivo.
A pesquisa acompanhou pacientes durante 48 meses e revelou que aqueles que faziam uso de medicamentos anti-hipertensivos conseguiram controlar melhor a pressão arterial do que os indivíduos que não utilizavam esses fármacos. Esse controle intensivo resultou na redução de 15% no risco de demência por todas as causas e em 16% no risco de comprometimento cognitivo.
A descoberta reforça a ligação direta entre a hipertensão e o desenvolvimento de problemas neurológicos. A cardiologista Stephanie Mares, do Hospital de Brasília Águas Claras, destaca que o aumento da pressão dentro do cérebro pode causar um quadro chamado microangiopatia, que consiste em lesões nos vasos cerebrais decorrentes da sobrecarga pressórica, levando à chamada demência vascular.
Alzheimer e hipertensão não tratada
O alerta sobre a relação entre pressão alta e declínio cognitivo não é novo. Em 2024, um artigo publicado na revista Neurology já havia apontado que pessoas com hipertensão não tratada tinham uma chance 42% maior de desenvolver a doença de Alzheimer — a forma mais comum de demência — em comparação àquelas que mantêm a pressão arterial sob controle.
Segundo a Dra. Stephanie, o controle da hipertensão passa não apenas pelo uso de medicamentos, mas também por mudanças no estilo de vida. “Hoje em dia as medicações estão cada vez mais modernas e com menos efeitos colaterais. Uma vantagem é que muitas delas estão disponíveis gratuitamente”, afirma.
Entre as medidas recomendadas estão a cessação do tabagismo, a prática regular de atividades físicas e a redução de comportamentos prejudiciais à saúde, como o sedentarismo e o consumo excessivo de sal.