17/04/2025 - 23:03
Advogado é preso por suspeita de envolvimento com facção em operação da Polícia Civil
Pauly Ramiro Ferrari Dorado teria atuado além da defesa jurídica, facilitando ações criminosas e repassando ordens para integrantes do grupo
Por Gustavo Castro
Reprodução
O advogado Pauly Ramiro Ferrari Dorado foi preso na quinta-feira (16) durante a Operação Patrono do Crime, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso. Investigado por envolvimento com uma facção criminosa, Pauly é apontado como uma figura central no grupo, utilizando sua posição profissional para facilitar e intermediar ações ilícitas, indo muito além do exercício da advocacia.
De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia de Apiacás, ele usava o acesso privilegiado como advogado para transmitir ordens entre os membros da facção, realizar consultas sobre possíveis rivais, negociar drogas, recuperar veículos roubados e até comercializar armas de fogo. As apurações indicam que ele atuava de forma ativa na manutenção da estrutura criminosa.
A prisão desta quinta não é o primeiro episódio polêmico envolvendo o advogado. Em fevereiro deste ano, ele foi flagrado tentando entrar na Penitenciária Central do Estado (PCE) com 1,2 quilos de cigarros escondidos no forro do paletó. O material foi descoberto durante a passagem pelo scanner corporal.
Outro episódio ocorreu em junho de 2023, quando Pauly foi conduzido à delegacia de Lucas do Rio Verde, a 243 km de Cuiabá, após ameaçar um promotor de justiça durante uma sessão do Tribunal do Júri.
As autoridades também apuraram que o advogado teria arquitetado um plano para que uma presidiária engravidasse e, com isso, solicitasse prisão domiciliar — o pedido foi negado pela Justiça, e a mulher acabou dando à luz ainda dentro do sistema penitenciário.
A Operação Patrono do Crime resultou no cumprimento de cinco mandados de prisão e quatro de busca e apreensão. Além do advogado, os alvos são quatro detentos — dois homens e duas mulheres — que cumprem pena na Penitenciária Central do Estado (PCE) e no Presídio Ana Maria do Couto.
A ação contou com o apoio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (Draco), do Comando de Operações Especiais (Core), da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), e das delegacias de Apiacás, Paranaíta e do Núcleo de Inteligência de Alta Floresta.
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) informou que, por meio do Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP), acompanhou a operação para assegurar as garantias legais dos advogados. A entidade também destacou que eventuais faltas éticas serão analisadas pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED), que tomará as medidas cabíveis.