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16/04/2025 - 21:21 | Atualizado em 16/04/2025 - 21:25

Cientistas detectam sinais químicos que podem indicar vida em planeta fora do Sistema Solar

Com dados do telescópio James Webb, estudo revela bioassinaturas inéditas na atmosfera de K2-18 b, um exoplaneta na zona habitável a 124 anos-luz da Terra

Por Reuters

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 (Crédito: Reprodução)
Em um possível marco na busca por vida fora da Terra, cientistas detectaram sinais químicos na atmosfera de um exoplaneta que podem ser as bioassinaturas mais promissoras já encontradas até hoje. Usando o telescópio espacial James Webb, pesquisadores identificaram moléculas que, no nosso planeta, são produzidas exclusivamente por organismos vivos.

Os gases encontrados — dimetil sulfeto (DMS) e dissulfeto de dimetila (DMDS) — foram observados na atmosfera do planeta K2-18 b, localizado a cerca de 124 anos-luz da Terra, na constelação de Leão. Ambos são produzidos por organismos vivos na Terra, especialmente fitoplâncton marinho. A descoberta foi publicada na revista Astrophysical Journal Letters e liderada pelo astrofísico Nikku Madhusudhan, da Universidade de Cambridge.

"Esses são os primeiros indícios de um mundo alienígena possivelmente habitado", afirmou Madhusudhan. "Este é um momento transformador na busca por vida além do sistema solar. Entramos na era da astrobiologia observacional".

Apesar do entusiasmo, o cientista ressalta que ainda não se trata da confirmação da existência de organismos vivos, mas sim de uma possível bioassinatura — um indício de processo biológico. Mais observações e estudos serão necessários antes de qualquer conclusão definitiva.

Um mundo hycean

K2-18 b é classificado como um planeta “sub-Netuno”, ou seja, com diâmetro maior que o da Terra, mas menor que o de Netuno. Ele é 8,6 vezes mais massivo que a Terra e 2,6 vezes maior em diâmetro. O planeta orbita uma estrela anã vermelha, mais fria e menos luminosa que o Sol, dentro da chamada "zona habitável" — a faixa de distância onde a água líquida pode existir na superfície.

A hipótese dos cientistas é que K2-18 b seja um “mundo hycean” — um tipo de exoplaneta coberto por oceanos de água líquida com atmosfera rica em hidrogênio, onde pode haver vida microbiana.

"O único cenário que atualmente explica todos os dados obtidos até agora pelo JWST, incluindo as observações passadas e atuais, é aquele onde K2-18 b é um mundo hycean repleto de vida", declarou Madhusudhan. No entanto, ele pondera: "Precisamos estar abertos e continuar explorando outros cenários".

O cientista acrescentou que, se houver vida, ela seria provavelmente microbiana e adaptada a oceanos mais quentes que os da Terra. “Não podemos responder neste estágio sobre vida multicelular ou inteligente. A suposição básica é de vida microbiana simples”.

Concentrações muito acima das da Terra

Os gases DMS e DMDS são considerados bioassinaturas importantes por sua forte associação com processos biológicos. O telescópio detectou a presença de um ou ambos os compostos com 99,7% de confiança estatística — o que ainda deixa uma margem de erro de 0,3%.

A concentração atmosférica foi medida em mais de 10 partes por milhão em volume. “Para comparação, isso é milhares de vezes mais do que suas concentrações na atmosfera da Terra, e não pode ser explicado sem atividade biológica, segundo o conhecimento atual”, explicou Madhusudhan.

Outros cientistas que não participaram do estudo elogiaram os dados, mas recomendaram cautela. “Os dados de K2-18 b são riquíssimos, tornando-o um mundo fascinante”, comentou Christopher Glein, do Southwest Research Institute, no Texas. “Esses novos dados são uma contribuição valiosa, mas devemos testá-los o máximo possível. Espero ver mais análises independentes já na próxima semana”.

Método de trânsito e o futuro da astrobiologia

A análise da atmosfera foi feita por meio do método de trânsito. Quando o planeta passa na frente de sua estrela, parte da luz estelar atravessa sua atmosfera. Essa luz, ao ser analisada, revela os compostos presentes. O Webb já havia detectado metano e dióxido de carbono em observações anteriores — marcando a primeira vez que moléculas baseadas em carbono foram identificadas em um exoplaneta na zona habitável.

As novas observações, feitas com outro instrumento e em uma faixa de luz diferente, serviram para confirmar a presença dos gases recém-identificados.

“O Santo Graal da ciência de exoplanetas é encontrar evidências de vida em um planeta parecido com a Terra”, afirmou Madhusudhan. Para ele, talvez estejamos a poucos anos de obter essa resposta. Mas a prudência segue sendo necessária.

“Primeiro, precisamos repetir as observações duas ou três vezes para garantir que o sinal é real. Segundo, precisamos estudar se há processos abióticos que possam gerar esses gases em atmosferas como a de K2-18 b”, destacou.

Mesmo que estudos anteriores já apontassem DMS e DMDS como bioassinaturas confiáveis, Madhusudhan conclui com cautela:

“É um grande se que os dados estejam mesmo apontando para vida. E não interessa a ninguém afirmar prematuramente que detectamos vida”.

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