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16/04/2025 - 20:47

EUA anunciam tarifa de até 245% sobre produtos da China em retaliação

Medida é resposta às ações da China na guerra comercial; Casa Branca pressiona por acordo

Por Bruna Miato

Associated Press

 (Crédito: Associated Press)
A Casa Branca informou nesta terça-feira (15) que a China enfrentará tarifas de até 245% nas exportações para os Estados Unidos. A medida seria uma resposta às "ações retaliatórias" adotadas pelo país asiático.

O comunicado inicial não detalhava como o governo americano chegou a esse número, mas foi atualizado para esclarecer que a taxa será aplicada sobre produtos específicos.

Segundo o texto revisado, "a China enfrenta uma tarifa de até 245% sobre importações para os Estados Unidos como resultado de suas ações retaliatórias. Isso inclui uma tarifa recíproca de 125%, uma tarifa de 20% para abordar a crise do fentanil e tarifas da Seção 301 sobre bens específicos, entre 7,5% e 100%".

A Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA permite respostas a práticas comerciais estrangeiras consideradas desleais, segundo o Departamento de Comércio americano. A investigação concluiu que a China adota práticas prejudiciais relacionadas à transferência de tecnologia, propriedade intelectual e inovação.

Entre os setores estratégicos atingidos estão tecnologia da informação, fabricação de máquinas automatizadas, robótica, veículos de nova energia, equipamentos de aviação e voo espacial.

A Casa Branca também aproveitou para defender as principais decisões econômicas e comerciais do presidente Donald Trump, classificando as tarifas como uma maneira de "nivelar o campo de atuação e proteger a segurança nacional dos EUA".

Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, comentou as novas tarifas durante uma coletiva. "Podem perguntar ao lado americano o valor específico das tarifas", disse, de acordo com o jornal estatal Global Times. Ele reiterou que a China manterá sua posição.

A escalada tarifária ganhou força em 2 de abril, quando Trump, ao declarar o que chamou de "Dia da Libertação", aplicou tarifas de 10% sobre produtos de mais de 180 países, além de elevar as tarifas para os países com os quais os EUA têm maiores déficits comerciais, chegando até 50%.

Desde então, segundo a Casa Branca, mais de 75 países procuraram os EUA para renegociar as tarifas.

Na tentativa de dar fôlego às negociações, Trump anunciou uma "pausa" nas tarifas recíprocas em 9 de abril, mantendo a tarifa geral de 10% por 90 dias. A exceção foi a China, que não procurou os americanos para negociar e decidiu retaliar, elevando suas tarifas sobre produtos dos EUA.

Entenda a escalada da guerra tarifária

O conflito comercial entre EUA e China se aprofundou na última semana após a implementação das tarifas prometidas por Trump.

No início do mês, o presidente americano apresentou a tabela de tarifas que variam de 10% a 50% e abrangem mais de 180 países. A China foi atingida com uma taxa de 34%, além dos 20% já aplicados anteriormente sobre produtos chineses.

Em resposta, Pequim impôs tarifas adicionais de 34% sobre as importações dos EUA.

Trump então estabeleceu um ultimato: caso a China não retirasse suas tarifas até às 13h (horário de Brasília) do dia 8, o país seria taxado com mais 50 pontos percentuais, elevando o total a 104%.

A China manteve sua posição e alertou que estava pronta para "revidar até o fim".

Cumprindo a promessa, Trump elevou as tarifas americanas sobre a China em mais 50%. O presidente, contudo, afirmou acreditar que um acordo seria possível para evitar novas tarifas.

No dia seguinte, a China aumentou suas tarifas para 84%, acompanhando o ritmo das medidas dos EUA.

Ainda no mesmo dia, Trump anunciou a "pausa" nas tarifas sobre os outros 180 países, mantendo a taxa geral de 10% por 90 dias. Tarifas específicas sobre aço e alumínio, por exemplo, continuaram vigentes.

A China, no entanto, continuou sendo uma exceção. Trump elevou novamente as tarifas sobre produtos chineses para 125%.

No dia seguinte, a Casa Branca explicou que a tarifa de 125% se somava à taxa de 20% já em vigor, chegando a um total de 145%.

Na sexta-feira (11), Pequim respondeu elevando as tarifas sobre produtos americanos para 125%.

Nesta terça, os EUA reiteraram sua disposição para negociar com a China, destacando que a iniciativa depende do governo chinês.

"O presidente deixou bem claro que está disposto a fazer um acordo com a China, mas a China também precisa querer fazer um acordo com os EUA", declarou Katherine Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca.

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