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09/04/2025 - 21:01
Brasil acelera combate à tuberculose com prevenção, inovação e ações intersetoriais
Com terapias mais curtas, investimentos inéditos e reconhecimento da OMS, país avança na meta de eliminar a tuberculose como problema de saúde pública
Por gov.br
O Brasil tem intensificado sua luta contra a tuberculose com uma combinação estratégica de prevenção, inovação terapêutica e ações intersetoriais. Em 2024, o país registrou um aumento de 30% nos tratamentos preventivos em comparação a 2023, resultado direto da ampliação do uso de medicamentos de curta duração. De acordo com o Boletim Epidemiológico da Tuberculose 2025, 72% dos tratamentos adotaram o regime de três meses, consolidando-se como principal abordagem preventiva.
Esse tratamento de curta duração, conhecido como 3HP, consiste em uma combinação dos antibióticos isoniazida e rifapentina, administrados semanalmente durante 12 semanas — ou seja, 12 doses no total. O esquema, oferecido gratuitamente pelo SUS, tem se destacado por sua eficácia, menor toxicidade e maior adesão, especialmente em comparação ao tratamento clássico com isoniazida, que exige até 180 doses ao longo de 6 a 9 meses.
A estratégia tem mostrado resultados expressivos: em 2024, 80% das pessoas que iniciaram o tratamento preventivo completaram o ciclo — a taxa de conclusão mais alta entre todas as terapias disponíveis no SUS.
“O uso de tecnologias preventivas viabiliza a meta de eliminação. Por isso, é essencial que sejam cada vez mais inovadoras. Em breve, teremos uma terapia de apenas 28 dias, com potencial ainda maior de adesão”, afirmou Draurio Barreira, diretor do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde.
Diagnósticos ainda refletem impactos da pandemia
Apesar dos avanços na prevenção, os números de novos diagnósticos seguem elevados. Em 2024, foram registrados 84.308 casos, uma leve queda em relação a 2023 (84.994), mas ainda acima do patamar pré-pandemia. Em 2020, por exemplo, foram 69.681 notificações. A pandemia de Covid-19 afetou significativamente a detecção da doença, tanto pela subnotificação quanto pela confusão diagnóstica com os casos de coronavírus.
“Durante a pandemia, vimos uma queda global nos diagnósticos, não só no Brasil. Agora estamos retomando, mas essa tendência deve se estabilizar nos próximos anos, com a diminuição do pico pandêmico e o retorno ao padrão anterior”, explicou Draurio Barreira.
Muitas pessoas com tuberculose foram diagnosticadas erroneamente com Covid-19 ou simplesmente evitaram procurar atendimento médico durante o isolamento. Esse comportamento favoreceu a transmissão doméstica e contribuiu para o aumento no número de óbitos relacionados à doença.
Brasil Saudável: integração de ministérios para enfrentar desigualdades
Em uma iniciativa pioneira, o governo federal lançou o programa Brasil Saudável, uma estratégia intersetorial que reúne 14 ministérios, organismos internacionais e organizações da sociedade civil. O objetivo é combater a tuberculose e outras doenças relacionadas à vulnerabilidade social por meio de políticas públicas integradas e focadas na redução das desigualdades que favorecem a transmissão da doença.
Investimentos reforçam vigilância e inovação tecnológica
O compromisso com a eliminação da tuberculose também se reflete nos investimentos. Em 2024, o Ministério da Saúde destinou R$ 100 milhões ao reforço das ações de vigilância, prevenção e controle da doença, no âmbito do Incentivo Financeiro para HIV/aids, Tuberculose, Hepatites Virais e ISTs.
Além disso, em parceria com o CNPq, foram lançadas chamadas públicas para financiamento de pesquisas científicas, totalizando R$ 20 milhões. Outros R$ 6 milhões foram investidos em iniciativas de mobilização social lideradas por organizações civis.
Outra inovação é o aplicativo Prevenir TB, ferramenta digital desenvolvida para apoiar profissionais do SUS na tomada de decisões clínicas sobre o tratamento preventivo da tuberculose. A plataforma, que utiliza tecnologia Progressive Web App (PWA), oferece orientações personalizadas com base em dados clínicos e epidemiológicos, auxiliando na escolha do melhor protocolo de prevenção.
Qualificação técnica e uso estratégico de dados fortalecem resposta nacional
O Ministério da Saúde também vem investindo fortemente na qualificação da vigilância epidemiológica, com assessoramento técnico a profissionais de saúde e gestores municipais e estaduais. A disponibilização de dados estratégicos tem sido fundamental para orientar políticas públicas e ações territoriais eficazes.
O Boletim Epidemiológico da Tuberculose 2025, que apresenta os dados mais recentes sobre a doença no Brasil, é mais uma ferramenta para fortalecer esse processo. A meta é clara: eliminar a tuberculose como problema de saúde pública no país, por meio de prevenção, inovação e ações coordenadas.