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02/04/2025 - 01:10 | Atualizado em 02/04/2025 - 16:07
Marine Le Pen chama decisão que a tornou inelegível de
Líder da extrema-direita francesa foi condenada por desvio de verbas e está fora da eleição
Thomas Samson
A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, afirmou que a decisão judicial que a tornou inelegível foi motivada por razões políticas e teve como objetivo impedir sua candidatura à Presidência da França em 2027.
Le Pen concedeu entrevista ao canal TF1 após a condenação, nesta segunda-feira (31), e reconheceu que está fora da corrida eleitoral. No entanto, enfatizou que isso "não significa que estou fora da política". Além disso, demonstrou apoio ao colega de partido Jordan Bardella, que deve assumir o papel de presidenciável pelo Reunião Nacional (RN).
A ex-deputada foi condenada por desvio de verbas públicas, recebendo uma sentença de quatro anos de prisão, dos quais dois deverão ser cumpridos em regime domiciliar com tornozeleira eletrônica, enquanto os outros dois foram suspensos. Além disso, a decisão judicial a tornou inelegível por cinco anos. Le Pen já anunciou que recorrerá da sentença.
Escândalo de desvio de verbas
Segundo a Justiça francesa, Marine Le Pen usou indevidamente recursos do Parlamento Europeu quando era deputada para financiar funcionários do seu partido, o Reunião Nacional. A juíza Bénédicte de Perthuis, responsável pelo caso, afirmou que Le Pen estava "no centro" do esquema e que os valores desviados totalizam 2,9 milhões de euros (cerca de R$ 18 milhões).
Durante o julgamento, a defesa de Le Pen argumentou que o dinheiro foi utilizado de maneira legítima, alegando que a acusação definiu de forma excessivamente restrita as funções de um assistente parlamentar.
O futuro da extrema-direita na França
Antes da condenação, Marine Le Pen liderava as pesquisas para as eleições presidenciais de 2027, consolidando-se como uma das principais figuras da direita francesa. Com sua inelegibilidade, o principal nome para sucedê-la na disputa é Jordan Bardella, seu braço direito e pupilo político.
Bardella, que no ano passado concorreu às eleições legislativas, ainda não confirmou se será o candidato do partido em 2027, mas fez questão de se manifestar sobre a decisão judicial.
"Foi a democracia que foi assassinada hoje", declarou Bardella, sem revelar seus próximos passos.