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31/03/2025 - 23:49

Pesquisadores de Cuiabá descobrem nova espécie de fungo causador de infecção grave

Fungo Paracoccidioides lutzii pode causar doença pulmonar crônica e outras complicações

Pesquisadores do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM-UFMT), em Cuiabá, identificaram uma nova espécie de fungo chamada Paracoccidioides lutzii. O microorganismo é responsável por causar a Paracoccidioidomicose (PCM), uma infecção fúngica grave que afeta principalmente trabalhadores rurais, garimpeiros e pessoas em contato frequente com o solo contaminado.
 
Como ocorre a infecção
De acordo com os pesquisadores, o fungo vive no solo e pode ser inalado quando a terra é remexida, alcançando diretamente os pulmões. A infecção pode provocar sequelas pulmonares crônicas, como fibrose pulmonar, além de manifestações clínicas variadas, incluindo úlceras na mucosa oral e nasal, inflamação dos gânglios cervicais, lesões cutâneas, complicações ósseas e oculares.
 
Os estudos também apontam que a doença afeta muito mais os homens do que as mulheres, em uma proporção de 14 para 1. Esse fenômeno ocorre devido à presença do hormônio estrogênio, que exerce um efeito protetor e reduz significativamente os casos femininos antes da puberdade e após a menopausa.
 
Tratamento e pesquisas em andamento
Segundo a doutora Rosane Hahn, coordenadora da pesquisa, a Paracoccidioidomicose não possui cura definitiva, mas pode ser controlada por meio de tratamento adequado. Os pacientes diagnosticados são acompanhados pelo Hospital Universitário Júlio Müller, onde recebem suporte médico e acompanhamento clínico.
 
Atualmente, o Ministério da Saúde financia um projeto para que os pesquisadores desenvolvam um antígeno capaz de ser utilizado nos laboratórios de análise clínica dos estados brasileiros (LACENs). Esse avanço permitirá uma detecção mais rápida e eficaz da doença, possibilitando diagnóstico precoce e tratamento mais eficiente.
 
Parceria para estudos na agricultura
Como parte da pesquisa, a doutora Rosane Hahn também coordena um projeto em colaboração com a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf). O objetivo é coletar amostras de sangue de agricultores familiares para realizar sorologias e avaliar a presença do fungo nessas populações expostas. Esse estudo pode ajudar a compreender melhor os padrões de contágio e desenvolver medidas preventivas para os trabalhadores mais vulneráveis.

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