Ribeirãozinho mostra que, com planejamento, responsabilidade e integração regional, é possível aproximar a saúde das famílias mesmo nos menores municípios.
Durante minha passagem por Ribeirãozinho, encontrei um exemplo que precisa ser conhecido por todo Mato Grosso. Com menos de 3 mil habitantes, o município mantém o Hospital Municipal Nossa Senhora da Abadia, uma unidade hospitalar municipal com atendimento 24 horas.
Mais do que um prédio, esse hospital representa segurança para as famílias. É a certeza de que, diante de uma emergência, existe uma equipe preparada e uma estrutura próxima para prestar os primeiros cuidados.
A unidade possui centro cirúrgico, espaço para acolhimento materno-infantil e capacidade para atender e estabilizar pacientes. A rede municipal também realiza atendimentos especializados e, quando o caso exige maior complexidade, articula exames, procedimentos e transferências por meio da estrutura regional de saúde.
Essa talvez seja uma das maiores lições de Ribeirãozinho: a qualidade do atendimento público não depende apenas do tamanho da população. Depende da maneira como os recursos são planejados, aplicados e transformados em serviços para as pessoas.
Em um estado com as dimensões de Mato Grosso, a distância também é um problema de saúde. Ainda existem famílias que precisam deixar suas cidades e percorrer longos caminhos em busca de atendimento. Isso representa gastos, insegurança, desgaste emocional e, em situações graves, perda de um tempo que pode ser decisivo.
Por isso, defendo que todo município do interior tenha uma estrutura hospitalar capaz de cuidar da sua população.
Isso não significa construir hospitais iguais em todas as cidades. Cada município possui uma realidade diferente. Significa garantir uma base hospitalar compatível com as necessidades locais, capaz de oferecer atendimento, diagnóstico, observação, estabilização e os procedimentos que possam ser realizados com segurança perto da casa das pessoas.
Para tornar isso possível, precisamos de uma política estadual permanente de apoio aos hospitais municipais. Um trabalho que reúna cofinanciamento, equipamentos, manutenção da estrutura, qualificação dos profissionais, telemedicina, consórcios regionais e um sistema de regulação mais rápido e eficiente.
Também é necessário acompanhar resultados: tempo de espera, quantidade de transferências, capacidade de atendimento e qualidade do cuidado oferecido. O recurso público precisa ser tratado com responsabilidade e chegar à população na forma de serviços que realmente funcionem.
Ribeirãozinho não deve ser apenas uma exceção admirada de longe. Deve ser um exemplo estudado, aperfeiçoado e adaptado às diferentes regiões de Mato Grosso.
Uma cidade pode ser pequena em população e, ao mesmo tempo, gigante na maneira como cuida das pessoas. Levar esse cuidado para todo o interior é uma das bandeiras que quero ajudar a construir.
por Julio Panoff
Julio Marx Aby Aly Panoff, conhecido publicamente como Julio Panoff, atua na conexão entre comunicação, tecnologia, gestão de projetos e transformação social em Mato Grosso.
É sócio da TUMUT Tecnologia, presidente do Conselho Fiscal do Instituto Global de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IGDS), coordenador e cocriador do projeto É Pra Já e coordenador estratégico da campanha de Irajá Lacerda para deputado federal.
Possui mais de 15 anos de experiência profissional nas áreas de comunicação, marketing, gestão, supply chain e inovação, incluindo uma passagem pela liderança global da BRF. Estudou Comunicação na University of Queensland, é graduado em Cinema, Televisão e Mídia pela University of Auckland e concluiu o MicroMasters em Supply Chain Management pelo MITx.
Seus artigos abordam tecnologia, inteligência artificial, inclusão social, educação, agronegócio, políticas públicas e desenvolvimento regional. Sua atuação parte da convicção de que conhecimento, gestão e tecnologia devem chegar às pessoas, ampliar oportunidades e ajudar a construir uma sociedade mais justa.
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