Você tem um casamento feliz? A resposta sincera a essa pergunta reside não apenas nos grandes momentos, mas na coragem de enfrentar o dia a dia e, principalmente, de fazer as perguntas certas. A felicidade conjugal não é um estado, mas uma construção baseada na profundidade do conhecimento mútuo.
Certa vez, essa reflexão me atingiu em cheio quando participei de um Encontro de Casais — desses promovidos por igrejas na tentativa de auxiliar cônjuges na formação de um lar feliz. Voltamos para casa com a tarefa de sentar na cama e perguntar à minha esposa se ela era feliz comigo e se eu a fazia feliz, e vice-versa.
Foi uma boa prosa, uma longa reflexão e uma análise profunda da nossa convivência. Lavamos roupa suja? Eu não usaria esse termo, mas quando se abre espaço para o diálogo, muita coisa se transforma de modo positivo, principalmente no entendimento de uma questão central: será que conhecemos verdadeiramente nosso cônjuge? Ou conhecemos somente aquilo que o outro nos permite conhecer?
Na minha longa experiência de 30 anos de convivência conjugal, acumulei muitas informações sobre como proceder para errar menos, pois se trata da felicidade conjunta – talvez mais sobre o outro do que sobre si mesmo.
A felicidade do outro começa pela construção e consciência da sua própria. E, para isso, precisamos deixar claros alguns pontos sobre como proceder.
Não importa o momento, o que sai de você tem que ser exatamente o que está dentro de você. Por isso, é importante se conhecer e saber do que você está alimentando sua essência.
Se você apertar uma laranja, o que sai? Suco de laranja, não é mesmo? Mesmo se você apertar mais forte, continua saindo suco de laranja. Não mude quem você é apenas por pressão de momentos, por ambientes desfavoráveis ou por pessoas com cargas diferentes. Aceitar o lixo que te jogam é apenas uma opção, e a decisão do equilíbrio e controle emocional é sua.
Toda carga negativa gera uma demanda de outras ações negativas, tornando óbvia a necessidade de interromper essa corrente para se ter uma vida mais saudável, feliz e, sobretudo, que atraia a paz como estratégia.
O verdadeiro vitorioso é aquele que consegue viver todos os dias sem macular seu caráter. Isso é fundamental na relação interna com seus pensamentos intrusivos.
Nada pode deter uma pessoa feliz. O caminho das realizações da vida, seja em qualquer área (pessoal ou profissional), está exatamente na carga de energia que você mesmo constrói dentro da sua alma, da mente e da aura que gira em torno da sua matéria física.
Suas ações e atitudes precisam de racionalidade. Quando se fala muito, sua palavra perde valor, o que atrai desconforto, desconfiança e formata a infelicidade, afastando relacionamentos e transformando a pessoa numa companhia indesejada.
Poderíamos falar ou escrever por longas horas sobre essa reflexão. Afinal, a vida é diferente para cada um de nós: temos visões de mundo distintas, culturas diferentes, fé e usos-e-costumes religiosos, doutrina e disciplina em nossa formação. Mas tudo isso precisa vir para a vida na prática, no dia a dia dos enfrentamentos reais.
Cultive sua paz interior, faça uma opção pela leveza da vida. Não seja uma pessoa que reclama de tudo, que não sabe apreciar as coisas simples. Seja uma pessoa de bondade, educação, generosidade, gentileza e carisma. Tudo ao seu entorno será melhor.
Isso não significa sair por aí distribuindo flores ou sorrisos forçados, mas, na primeira oportunidade do dia, dar um bom dia verdadeiro e acostumar-se com o hábito de reconhecer o menor esforço do parceiro ou mesmo do colega no ambiente de trabalho. Ser feliz no casamento dá trabalho, mas ser infeliz pode gerar consequências como doenças e divórcio.