Notícias / Mato Grosso

17/04/2019 - 08:37

Pescadores profissionais apoiam Cota Zero por 5 anos

Por Olhar Direto

A deputada estadual Janaína Riva (MDB) propôs, no último dia 27 de fevereiro, uma modificação na Lei 9.096/2009, referente à Política Estadual de Pesca. Uma das determinações do projeto, que encontra-se agora na Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Recursos Minerais, é a cota zero para pesca amadora. Mas não é só a deputada que defende esta ideia. Além dela, o Conselho Estadual da Pesca (Cepesca), o deputado Dilmar Dal Bosco e a Federação de Pesca Esportiva e Amadora de Mato Grosso concordam em diversos pontos.

Segundo Tarso Lopes, presidente da Federação, o Cepesca e o deputado Dilmar devem divulgar seus projetos, no mesmo sentido, em breve. No de Janaína, as principais modificações estão em proibir o abate e transporte de pescado em todo o estado pelos próximos cinco anos, com a quantidade sendo modificada depois disso, além de manter a proibição permanente do abate de dourado e piraíba. Veja a proposta na íntegra AQUI.

“O Pantanal não suporta mais a retirada de peixes”, alerta Tarson. “Esta questão da cota zero precisa ser explicada, porque cota zero é um slogan, mas na verdade seria ‘transporte zero’. Mato Grosso do Sul já adotou, Goiás já adotou há cinco anos, e se a gente não fizer, todo mundo vai subir pro Pantanal de Mato Grosso, e aí que vai acabar o nosso peixe mesmo”.

O decreto de cota zero de Mato Grosso do Sul foi anunciado em 31 de janeiro, pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Na época, o presidente da Federação publicou um vídeo parabenizando o governante pela ação. Logo depois, em fevereiro e março, ele chegou a se reunir com o governador Mauro Mendes (DEM) para pedir o mesmo em Mato Grosso.

“Mato Grosso do Sul em 2020 será cota zero, fizeram decreto esse ano, e na verdade era pra sair junto Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mas eles saíram na frente. E Goiás tem há cinco anos. Se nós não tomarmos medidas pra proteção do Pantanal, do pescado - e não só da cota zero, mas outras atitudes também, como lixo e esgoto - nós vamos estar com nosso estoque de pescado cada vez mais abaixando, vai abaixar a um nível que ninguém vai conseguir pegar mais nada”, lamenta.

Segundo Tarson, o grande problema da pesca amadora está na quantidade de peixe que acabam sendo levados do rio. “Nós temos uma estatística que 400 mil carteiras de pesca são direcionadas para Mato Grosso. E se você calcular, a cota do pescador amador é uma cota diária. Ela não fala que pode, por exemplo, pegar 5kg e mais um exemplar por mês, é por dia! Se a fiscalização pegar, ele tem que estar com 5kg e um exemplar. As pessoas que vem de fora, nesse sentido, vão levar 5kg. Mas as pessoas que pescam aqui dentro do estado, poderiam ir lá todos os dias e tirar 5kg e um exemplar, de qualquer tamanho. Então se a gente pegar 400 mil carteiras só de fora, e esses caras levarem 2kg de peixe, já dá 800 toneladas. A gente entende que o Pantanal não suporta isso mais. Por isso a nossa luta, a nossa luta tem mais de um ano já pra que chegue à cota zero”.

Por outro lado, para Tarson, é preciso enxergar que o peixe dentro do rio traz mais dinheiro ao Estado do que fora, por meio do fomento do turismo e seus adjacentes, como transporte, posto de gasolina, rede de hotéis e mais. Por este motivo, a Federação entende que essa proibição deveria ser definitiva.

Vale lembrar que a ‘cota zero’, em todas as propostas, valeria somente para pescadores amadores. Os profissionais, ribeirinhos e quem pesca para subsistência não seriam prejudicados, assim como aqueles que querem pescar apenas um exemplar para comer na beira do rio.

Tarson também rechaça a teoria de que o peixe, no sistema ‘pesque e solte’, não sobrevive porque volta para o rio machucado. “Não tem nada a ver. Tanto que nós temos o exemplo do dourado. O dourado está proibido há quatro anos no estado, e nós não temos um estudo pronto, estão fazendo, mas o estoque de dourado visivelmente cresceu demais. Então eu contesto essa teoria na prática, porque eu moro lá e vivo no dia a dia. E o professor Darci Carlos, um estudioso genético de peixes, não concorda com isso. Pode até machucar o peixe, mas o que precisa ser feito é uma conscientização de como você precisa soltá-lo no rio”.

Além da cota zero, a Federação de Pesca busca um projeto de coleta seletiva de lixo no Pantanal, e outro de capacitação de guias turísticos nas regiões de Barão de Melgaço, Poconé e Santo Antônio do Leverger.

Comentários

inserir comentário
13 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Jornal Oeste. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Jornal Oeste poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • por Negão, em 27.04.2019 às 21:45

    Alguém poderia dizer que já ouviu pelo menos falar que algum pescador amador sabe usar Rede, Espinhéis, Ligeirinho? Cáceres tem mais de 3.000, pescadores profissionais. Onde é vendido esses peixes?

  • por cacerense em busca de progresso, em 18.04.2019 às 13:42

    rafael jordão, então vc e predador da natureza

  • por Carlos, em 18.04.2019 às 09:20

    Sempre noto que não existem fiscalização sobre os pescadores profissionais e amadores, com a cota zero em Goiás ouve aumento dos pescadores profissionais que continua levando o pescado e aumentando as retiradas em 5 anos Goiás diminuiu seu pescado, estão fazendo vistas grossas nos pescadores profissionais. Devem fiscalizar não só o transporte mais sim nós rios e ribeirinhos.

  • por Rafael Jordão, em 18.04.2019 às 09:12

    Sou de São Paulo, e vou 5 vezes ao ano no Pantanal. Proibindo a pesca, tomando pesque e solte, eu não vou mais ao Pantanal.

  • por Fernando MG, em 18.04.2019 às 08:56

    O problema é a pesca profissional, tem muita rede nos rios e elas são colocadas em arroios e atravessadas de ponta a ponta... acho um absurdo alguém ganhar dinheiro tirando recurso dos rios que são de todos... Nosso problema é a pesca profissional que é extremamente agressiva e a falta de fiscalização...

  • por Tiago Linhares, em 17.04.2019 às 21:23

    Os maiores depredadores de rios sao pescadores profissionais pois alguns, alguns eu disse por que usam redes, tarrafas e espinheis pescador de molinete e carretilha muita vezes nao consegue pegar nenhum exemplar . Tem que haver sim uma conscientização respeitar as leis proibir a pesca do pintado e cachara liberar a pesca do dourado . Esse projeto vai beneficiar apenas grandes psicultores que criam em tanque . Que direitos temos agora pois pelo visto só temos deveres nenhum exemplar pra comer em casa pescadores profissionais vao colocar o preco do pescado la em cima é uma vergonha .

  • por Lobo, em 17.04.2019 às 18:32

    Apoiado! Ao contrário isso vai gerar muito mais turismo de pesca esportiva! Pesque e solte! Vai ter muito mais peixes e tamanhos...

  • por marsofo, em 17.04.2019 às 16:08

    As belezas do Pantanal, desde sua cabeceira na região de Cáceres, são convites para outra forma de turismo que prevalecem pelo mundo afora..Essa ideia de que o peixe é que tem de sustentar o turismo, é aquela mesma que outrora prevalecia na exploração da pecuária cacerense: " o boi cria o fazendeiro, quando deveria ser criado e bem cuidado pelo fazendeiro". Chega de tanta farra por conta desse equivoco em relação aos peixes. A criatividade deveria entrar em cena para a exploração de outras formas de atração turística, começando por eleger políticos decentes e bem intencionados, com projetos realísticos para mudar essa triste situação de Cáceres. Em tempo: fonte luminosa e usina de asfalto que só vai funcionar se a sociedade se endividar para que as ruas sejam asfaltadas, não são, seguramente, um bom rumo para atrair turistas.

  • por Pedro Rocha, em 17.04.2019 às 13:41

    A culpa não é só do turista. A população local degrada mais o rio que o turista.

  • por cacerense em busca de progresso, em 17.04.2019 às 13:39

    concordo, pois a maioria dos turista que vem a Cáceres só com a intenção de levar grande quantidade de pescados, com apoio de pescadores das embarcações, sou a favor de consumo no local, sem levar nada.

Mais comentários
 
Sitevip Internet