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24/12/2016 - 10:17

Ensino integral será implantado em 14 escolas do Estado e alunos poderão adaptar disciplinas de acordo com vocação

Por André Garcia Santana

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Contemplados com aulas em período integral e uma grade disciplinar flexibilizada, cerca de cinco mil estudantes da rede estadual de ensino deverão superar a realidade da evasão, dando início em 2017 a um processo de redução nas estatísticas de fuga escolar. Por meio das alterações propostas pela reforma no Ensino Médio, Mato Grosso deverá receber do Governo Federal um montante de R$ 10 milhões em investimentos, distribuídos inicialmente entre 14 instituições pelo Estado. Em entrevista exclusiva ao Olhar Direto, o secretário de Estado de Educação, Marco Aurélio Marrafon, falou sobre a importância das mudanças. 

Ele explica que 11 das 14 unidades receberão suporte financeiro do Ministério da Educação (MEC), enquanto outras três serão mantidas exclusivamente com recursos Governo do Estado. A expectativa, segundo ele, é estender a medida ao Ensino Fundamental ainda em 2017, trabalhando para cumprir a meta implantação do sistema em 45 escolas estaduais até 2018, representando 10% do total de unidades no território.

O Secretário de Estado de Educação Marco Marrafon.
A avaliação é de que medida salvará a vida de milhares de adolescentes, uma vez que já foi comprovado que ela reduz o abandono das salas de aula. “A evasão mata de duas maneiras. Na primeira hipótese morre uma biografia. Nessa via, menos dolorosa, mata-se um futuro médico, engenheiro, ou qualquer outro profissional. A mais dolorosa é quando ele sai da escola e cai na criminalidade. Nessa segunda forma, provavelmente o jovem terá uma vida curta, então, mata-se pessoas.”

Aqui, onde 50% dos mais de 200 mil estudantes não terminam o Ensino Médio, seja por reprovação ou por evasão, o programa chega com prioridade nas áreas mais vulneráveis. “O tempo da vida não é o tempo do Estado. Se não adotarmos o programa agora por conta da construção de escolas, por exemplo, pode ser que até a resolução dos trâmites burocráticos, tenha passado mais da metade do ensino médio no modelo tradicional e continuamos sem resolver o problema.”
 
De acordo com ele, praticamente todas as escolas que apresentaram condições, tanto pela aceitação da comunidade acadêmica, quanto pela estrutura física, foram beneficiadas nesta primeira demanda contemplada pelo MEC. Ao longo deste processo professores, alunos, pais e diretores foram ouvidos, sinalizando positivamente para a mudança, que daqui a um ano deverá abranger 10% das mais 700 escolas mato-grossenses.

Para a manutenção da proposta o MEC repassará ao Estado um valor anual de R$ 2 mil reais por aluno inserido nesta política educacional. O montante é somado aos aproximados 6,5 mil reais investidos atualmente pelo Governo Estadual em cada estudante, uma conta que envolve gastos com professores, merenda, reformas e transporte.
 
O ensino integral na prática
 
A extensão do tempo nas escolas também exigirá do Estado investimento em adaptações físicas para que os alunos sejam acolhidos adequadamente em espaços para o desenvolvimento de variadas atividades ao longo do dia. No entanto, diante da demora que este processo pode representar, a estrutura básica continuará a mesma, passando por algumas adaptações.“Chamamos engenheiros que fizeram vistorias nas escolas. Precisaremos de mais laboratórios, quadras de esporte, pra atender esse novo fluxo.”

Ali os estudantes passarão os períodos da manhã e da tarde inteiros, recebendo também as refeições adequadas a cada momento. Para isso, além de um reforço na merenda, haverá também maior acompanhamento de tutoria do aluno, em um sistema no qual os estudantes que se revelam como líderes e mediadores de conflitos se tornam protagonistas para acolher os novos estudantes.


A grade de disciplinas também é alvo de mudanças, podendo variar de acordo com a vocação apresentada por cada adolescente. Assim, segundo Marrafon, se o menor possui inclinação para a área de humanidades, ele poderá escolher disciplinas que tenham maior relação com isso, incluindo cursos de fotografia ou teatro, por exemplo. Se a predileção for matemática, em outro período o aluno pode fazer um curso de matemática ou física mais avançado do que o apresentado na grade tradicional.
 
“É um programa de ponta, que adota uma metodologia chamada Escola da Escolha, já implantada em estados como Pernambuco, São Paulo e Espírito Santo. Lá elas tem um alto índice de sucesso, tanto que Pernambuco é o primeiro no país em nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Além disso, depois de adotar a escola integral no ensino médio em 50% das escolas eles zeraram praticamente a evasão escolar. Isso salvou vidas ali”, reforça o secretário.
 
Resistência e adaptação
 
Neste primeiro momento um dos principais desafios apresentados à administração é a possível resistência por parte da comunidade escolar, motivada por desconhecimento do modelo e descontentamento com tentativas passadas, quando houve muitas promessas e nada foi feito. Há ainda a preocupação relacionada a entrada do jovem no mercado de trabalho, uma vez que, matriculado em período integral, não há como o aluno ser contratado como empregado, diferente do que algumas famílias esperam ou precisam.

As dúvidas, no entanto, seriam erradicadas no primeiro ano. “As preocupações rapidamente se dissipam e a partir do segundo ano observa-se um índice de satisfação próximo dos 100 %, ou seja, os jovens que ficam na escola integral não querem mais sair dela. Nos outros estados a satisfação é altíssima, tanto por alunos quanto por professores e técnicos.”

A partir deste estágio, a expectativa é de que a comunidade escolar abrace o sistema e fortaleça a escola pública. “Quando temos escolas públicas de melhor qualidade, melhor merenda, professores mais motivados, alunos felizes indo à escola, isso fortalece a ideia de escola pública de qualidade. É uma política de fortalecimento do ensino público que estamos fazendo”, finaliza.

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