Artigos / Veronique Ribeiro

18/05/2017 - 15:12

Difícil vida fácil: A luta continua!

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No dia 18 de maio de 1973, uma menina de 8 anos foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada no Espirito Santo. Seu corpo apareceu seis dias depois carbonizada e os seus agressores, jovens de classe média alta, nunca foram punidos.
 
A data ficou instituída como o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes” a partir da aprovação da Lei Federal nº. 9.970/2000.
 
O “Caso Araceli”, como ficou conhecido, ocorreu há quase 40 anos, mas, infelizmente, situações absurdas como essa ainda se repetem.
 
Cáceres já foi conhecida nacionalmente por tais situações absurdas, quando em 2003, veio à tona o chamado “Barco do Amor”, que foi alvo de investigação da Policia Federal e acompanhamento do Projeto Sentinela.
 
Naquele período, o que se tinha como vida fácil, hoje, como sobrevivente do período, pode com autoridade dizer que era uma difícil vida fácil.
 
Uma referência sobre esse período temos na pessoa da nossa atual vice-prefeita Antônia Eliene Liberato Dias, que no período foi coordenadora do Projeto Sentinela em Cáceres.
 
Tendo em vista que a luta continua, Eliene enfatiza que: “Avançamos sim, mas, é preciso implementar politicas e ações eficientes na prevenção, como campanhas educativas e informativas. Trabalhar a causa é necessária. O mapa da violência mostra que mesmo diante de tantas ações os dados não refletem a realidade, é um tipo de violência que é difícil de se enfrentar em função da força dos mais fortes sob os vulneráveis”.
 
Para Eliene o dia 18 de maio significa muito mais que lembrar a dor, o sofrimento silencioso de muitas crianças que foram e são vitimas dessa mais cruel violência.
 
São traumas difíceis de superar.
 
Eliene lembra com emoção cada relado, cada depoimento e pedido de socorro das vítimas, o que a fortaleceu para enfrentar e lutar contra esse tipo de crime.
 
Como há 14 anos, na época do Barco do amor, menores continuam sendo aliciadas, abusadas e exploradas.
 
Quando digo aliciadas não me refiro a cafetões (agenciadores), esses aliciadores muitas das vezes estão dentro de casa, na casa de colegas, sendo em grande parte, parentes de primeiro grau e pessoas de extrema confiança dos próprios pais.
 
Muitas dessas adolescentes, assim como eu, foram vítimas de abuso sexual na infância, e na inocência da sua adolescência, muitas vezes por medo da reação dos pais, sofrem ou sofreram calada a agressão que deixa marcas para o resto da vida.
 
O abuso sexual na infância trás consigo consequências psicológicas muitas vezes irreversíveis, que só com terapias e acompanhamento especializado pode ser aliviada a dor.
 
Uma dor, que pode sim ser superada, através do amor, acolhimento, sem acusações.
 
Muitas jovens do período de 2003 entraram para o mundo das drogas, algumas foram mães na adolescência (assim como eu, aos 15 anos), algumas continuam se prostituindo, mas existem outras que não deixaram essa triste marca matar o futuro que estava por vir.
 
Lembro emocionada, que dessa Difícil vida fácil, só me restam as marcas, e o desejo de fazer bonito, lutar pela prevenção e combate a exploração sexual contra crianças e adolescentes, pois 18 de maio é só uma data, porque a luta continua no nosso dia a dia.
 
Falo isso como sobrevivente do Barco do amor, porque através do amor de Deus pude superar tudo o que aconteceu, e posso dizer que até aqui me ajudou o Senhor.
Veronique Ribeiro

por Veronique Ribeiro

é estudante universitária em Cáceres/MT
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2 comentários

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  • por Tato giraldelli, em 20.05.2017 às 08:04

    Parabens

  • por Rafael Costa, em 19.05.2017 às 11:52

    O que mais me incomoda na denuncia feita por esse texto, é o silencio reinante em Cáceres sobre a questão.

 
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